Tribunal suíço ordena libertação de Polanski

O diretor de cinema Roman Polanski, detido na Suíça há dois meses, deverá deixar em breve a prisão, depois de obter de um tribunal do país a aprovação de sua libertação sob fiança.

AFP |

A ministra suíça da Justiça, Eveline Widmer-Schlumpf, disse na noite desta quarta-feira que não vê "nenhum motivo" para se opor à decisão.

O veredicto, no entanto, não influi nas negociações sobre a extradição do cineasta para os Estados Uniods.

Para o Tribunal Penal Federal (TPF) de Bellinzone, sul da Suíça, uma fiança de 4,5 milhões de francos suíços (3 milhões de euros) e sua manutenção em prisão domiciliar são suficientes para evitar que ele fuja da justiça.

Para o TPF, esta fiança representa "uma parte significativa da fortuna" do réu que, "devido à idade avançada, provavelmente não terá a possibilidade de acumular novamente uma quantia semelhante".

O TPF ressaltou que o diretor de cinema somente poderá ser libertado quando forem cumpridos todos os requisitos estipulados (pagamento de fiança, expedição de ordem de prisão domiciliar e vigilância eletrônica).

No dia 3 de novembro, os advogados de Polanski entraram com um recurso contra uma decisão do ministério suíço da Justiça de negar fiança, alegando "altas probabilidades de fuga".

"Não vejo motivo para levar esta decisão (do TPF) ao Tribunal Federal" de Lausanne, a mais alta instância judicial do país, declarou a ministra Widmer-Schlumpf à rede de televisão pública SF.

"O TPF tomou sua decisão com conhecimento de causa, e chegamos à conclusão de que o risco de fuga não será maior se Polanski aguardar a decisão sobre sua extradição em Gstaad, e não na prisão", acrescentou.

Uma decisão de libertação sob fiança em um caso como este é "raríssima", afirmou à AFP o advogado Marc Henzelin, especialista nos procedimentos de extradição.

O francês George Kiejman, um dos advogados de Polanski, se disse "muito feliz" com a sentença. "Isso me parece natural, e é um grande motivo de satisfação", acrescentou.

De acordo com o advogado, Polanski "vai tomar conhecimento da fiança pedida pela justiça suíça e deverá em seguida ficar em prisão domiciliar em Gstaad, onde possui um chalé".

O cineasta de 76 anos está preso na Suíça desde o dia 26 de setembro, em virtude de um mandato de extradição emitido pelos Estados Unidos.

Roman Polanski, premiado com o Oscar do melhor diretor (2003) e a Palma de Ouro do Festival de Cannes (2002) pelo filme "O Pianista", é procurado pela justiça americana por ter mantido relações sexuais com uma menor de 13 anos em 1977.

Polanski chegou a oferecer seu chalé de Gstaad como pagamento da fiança, mas a proposta fora recusada por não corresponder aos critérios legais.

Segundo fontes judiciais americanas, o advogado do diretor de cinema franco-polonês vai pedir a absolvição de seu cliente em 10 de dezembro numa corte de apelações de Los Angeles (Califórnia, oeste dos EUA).

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