Tribunal nega recurso por unanimidade e casal Nardoni vai a júri popular

SÃO PAULO ¿ O recurso da defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá para que eles não fossem submetidos a júri popular foi negado por três desembargadores do Tribunal de Justiça de São Paulo nesta terça-feira. Os advogados tentaram anular a sentença do juiz Mauricio Fossen, da 2ª Vara do Júri da Capital.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

O primeiro voto foi do relator e desembargador, Luis Soares de Mello, que negou o recurso. Segundo ele, a defesa não gostou da conclusão dos trabalhos, mas dizer que eles são falhos é inaceitável. Durante sua exposição, Marco Pólo Levorin, que defende o casal, contestou ao menos três pontos dos autos.

Mello prosseguiu dizendo que "todos os pontos essenciais para que o casal seja levado a julgamento foram bem avaliados". "Não há como colocar em dúvida a materialidade dos fatos. Eles têm que ir a júri popular", reforçou. O desembargador disse ainda que, como os réus já estão presos, eles devem assim permanecer até o julgamento.

Os outros dois desembargadores seguiram o voto de Mello.

Segundo o relator, a prisão do casal é necessária para garantir a instrução criminal e não influir na colheita de provas. "É um caso típico, emblemático, com muita repercussão. Até eles correm riscos", afirmou. Diante da afirmação do advogado Marco Pólo Levorin de que a defesa estudará recorrer a instâncias superiores, como o Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF), Mello disse que os advogados podem utilizar alguns meios legais para "alongar o julgamento". Para ele, o júri popular do casal deve acontecer entre julho e agosto deste ano.

Defesa do casal

O advogado Marco Pólo Levorin, que defende o casal, afirmou, durante o julgamento, que Isabella "não foi esganada e, se houve asfixia, foi em razão da queda". 

Reprodução
Isabella Nardoni ao lado da mãe

Isabella Nardoni ao lado da mãe

Marco Pólo falou em defesa do casal por cerca de 45 minutos e contestou diversas partes dos autos. Ele disse, por exemplo, que foi encontrado sangue humano somente em quatro peças de roupa, sendo que uma delas estava no apartamento de Cristiane Nardoni, irmã de Alexandre, e não condizia com o perfil sanguíneo do acusado.

Foi encontrada uma camisa com massa de revestimento de parede, odor desagradável e sangue, (...) cujo sangue é de uma terceira pessoa, afirmou. A defesa afirma que uma terceira pessoa cometeu o crime e não o casal Nardoni.

Outro ponto questionado por Levorin é a suposta fralda com sangue de Isabella que teria sido lavada. Segundo ele, o luminol (substância usada pela perícia que reage com o sangue e ilumina o local onde ele foi encontrado) reage falsamente com detergente, alvejante, restos fecais e urina. O que mais se encontra em uma fralda de bebê?, questiona.

O advogado finalizou apontando uma suposta contradição entre denúncia e perícia. Segundo ele, de acordo com a denúncia a participação de Anna na morte foi apenas moral. Já a perícia apontaria que Alexandre não conseguiria jogar a garota sozinho.

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