SÃO PAULO ¿ A desembargadora Cecília Mello, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, afastou hoje o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, do caso MSI/Corinthians. A desembargadora considerou De Sanctis suspeito e determinou, com isso, o seu afastamento do caso. O Corinthians e a MSI, ex-parceira do clube, são investigados por suposta lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

O afastamento do magistrado foi pedido pelos advogados que defendem o iraniano Kia Joorabchian e o russo Boris Berezovski, ambos da MSI.
De Sanctis foi afastado do caso em caráter liminar, até o julgamento final da chamada "exceção de suspeição".

O TRF-3 ainda precisa julgar o mérito do caso, mas, até lá, um juiz substituto vai conduzir o processo. De Sanctis ainda não foi notificado sobre a decisão. "Baseado nos atos do próprio juiz, entendemos que ele foi parcial ao conduzir o caso", diz Roberto Podval, defensor de Joorabchian.

Segundo ele, durante o processo, logo depois que os dois advogados ingressaram com pedidos para afastá-lo por suspeição, De Sanctis lhes aplicou multas de R$ 37 mil. De Sanctis avaliou que os advogados agiram com má-fé para tumultuar o caso.

"O ato mais claro de parcialidade foi quando o juiz nos condenou logo que ingressamos com os pedidos de suspeição. Foi um absurdo", afirma. As multas acabaram sendo anuladas pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello.

Podval afirma que a decisão da desembargadora não é algo a ser comemorado. "O TRF-3 decidiu de forma muito correta afastar o juiz para evitar que mais tarde houvesse nulidade nas decisões", diz. "Nosso pedido, ao menos liminarmente, foi reconhecido, mas o episódio como um todo foi muito desagradável. É uma lástima que tenhamos chegado a isso."

Marcelo Costenaro Cavali, juiz substituto da 6ª Vara, vai conduzir o caso. A audiência de hoje, em que De Sanctis ouvia testemunhas de acusação do caso MSI/Corinthians, foi remarcada para 11 de janeiro.

Boris Berezovsky e Kia Joorabichian são acusados de ter usado a parceria entre a MSI e o Corinthians, entre 2004 e 2007, para cometer os crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Além desse caso, De Sanctis está à frente das investigações sobre o sócio-fundador do Grupo Opportunity Daniel Dantas ¿ preso duas vezes na Operação Satiagraha ¿ e das doações não-declaradas da construtora Camargo Corrêa a políticos.

* Com Agência Estado

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