SÃO PAULO - Três ações da Polícia Civil de São Paulo e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, prenderam 27 pessoas que faziam ou davam suporte para os ¿tribunais do crime¿, nome dado aos ¿julgamentos¿ comandados por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC). As informações são do jornal ¿Folha de S.Paulo¿.

Segundo a reportagem, nestes "tribunais" um presidiário membro da facção assume o papel de juiz e decide se uma pessoa, ligada ou não ao PCC, deve viver ou morrer. A "sentença" é comunicada a outras pessoas do grupo por telefone celular.

A polícia chegou aos supostos criminosos com a ajuda de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. As gravações mostraram, segundo o jornal, que o PCC leva aos tribunais pessoas supostamente envolvidas em casos de roubo, furto, estupro, homicídio e em brigas ocorridas em áreas de influência da facção. O objetivo seria evitar a presença da polícia nos locais onde o grupo vende drogas.

As ações da Polícia Civil aconteceram na zona leste de São Paulo, no ABC paulista e na região de Sorocaba (99 km da capital). Até agora, nove vítimas dos tribunais já teriam sido registradas.

Além das 27 pessoas presas, outras 20 foram identificadas e estão sendo procuradas pela polícia. Ao menos dez presidiários, todos membros do PCC, também foram ligados aos crimes e serão indiciados por seqüestro, cárcere privado e homicídio.

Procurado pela reportagem da Folha de S.Paulo para comentar o uso de celulares dentro das prisões, o secretário da Administração Penitenciária, Antonio Ferreira Pinto, não quis se manifestar. Em nota oficial, ele informou que uma média de 600 telefones são apreendidos por mês nos 146 presídios do Estado.

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