Três são condenados a 348 anos por chacina no Paraná

A chacina ocorrida no ano passado, em Guaíra, a 640 quilômetros de Curitiba, no oeste do Paraná, que deixou 15 pessoas mortas e oito feridas, resultou na condenação a 348 anos de prisão para cada um dos três acusados - Jair Correia, Ademar Fernando Luiz e Fabiano Alves de Andrade. O julgamento, previsto inicialmente para demorar três dias, foi adiantado em um.

Agência Estado |

O juiz Wendel Fernando Brunieri leu a sentença na tarde desta terça-feira. "Foi um crime singular, uma condenação exemplar, à altura da barbaridade cometida", disse o promotor de Justiça Marcos Cristiano Andrade. "A chacina foi uma mancha na história do Paraná e a condenação dos réus vem minimizar essa mácula."

O promotor conseguiu convencer os jurados de que cada um dos acusados foi responsável por cada uma das 15 mortes triplamente qualificadas e pelas oito tentativas de homicídio. Não houve absolvição de nenhum crime para nenhum deles.

A defesa, que desde o início admitiu a autoria dos crimes por parte dos três réus, tentou individualizar as ações. Além disso, procurou mostrar que eles teriam agido por "injusta provocação das vítimas". "A defesa queria que houvesse o entendimento de crime continuado, mas o juiz adotou o concurso material, em que as penas são somadas", disse o advogado Luiz Cláudio Nunes Lourenço, um dos defensores.

Crime

No dia 22 de setembro do ano passado, os três acusados chegaram a uma chácara pertencente a Jossimar Marques Soares, conhecido como Polaco, e que seria um dos chefes do tráfico na localidade. Correia tinha informações de que Polaco teria contratado outras pessoas para matar, dias antes, seu enteado, Dirceu de Souza Pereira, em razão de uma dívida do tráfico. O dono da chácara foi dominado e obrigado a chamar os outros suspeitos da morte de Pereira.

No entanto, algumas pessoas que não teriam envolvimento com o tráfico acabaram chegando ao local e também foram executadas. Várias apresentavam sinais de tortura, inclusive, o dono da propriedade. Os feridos somente não morreram porque se fingiram de mortos ou conseguiram fugir. Numa distração do trio, uma mulher e duas crianças foram as únicas pessoas que conseguiram correr e escapar ilesas.

Depois de aproximadamente cinco horas de permanência na chácara, os três fugiram em um barco, atravessando o Lago de Itaipu. Correia foi o primeiro a ser preso pela polícia, no dia 15 de outubro do ano passado, em Rosana (SP). No dia 21 de outubro, foi a vez de Ademar Luiz ser encontrado em Lucas do Rio Verde (MT). Três dias depois, Andrade foi preso em Itaquiraí (MS).

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