A ocorrência simultânea de pelo menos três eventos climáticos no Hemisfério Sul é a principal razão das chuvas prolongadas, que estão provocando destruição e morte no Nordeste. A atuação desses fenômenos criou uma espécie de “bolsão” de chuvas na região, que não consegue se locomover e só deve enfraquecer na metade deste mês.

Os especialistas afirmam serem comuns as chuvas no Nordeste no verão e outono por causa da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Esse fenômeno é causado pelo encontro de ventos do norte e sul e costuma agir na região da Linha do Equador. Normalmente, a ZCIT desce para o Nordeste e retorna ao norte na metade de março, mas neste ano ficou presa.

Segundo o meteorologista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) José Fernando Pesqueiro, a ZCIT não retorna por causa do comportamento anormal de ventos da costa africana que incidem no Brasil. “Eles estão intensos e impedem que a ZCIT volte ao Norte. Tanto que o Amapá e Roraima ainda estão secos.”

As chuvas foram reforçadas por eventos comuns na região: a Alta Bolívia (que transporta umidade da Amazônia para outros locais) e as Linhas de Instabilidade (nuvens formadas no litoral). “Por volta do dia 15, os fenômenos vão enfraquecer”, diz Manoel Rangel, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).

Por outro lado, a estiagem na Região Sul é consequência da formação antecipada de uma grande massa seca que se formou no interior do País. Por causa da ação dessa massa, outros sistemas frontais - como as frentes frias - não conseguem avançar para o continente e as chuvas ficam concentradas nos oceanos e chegam somente ao litoral. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.