Trens do Metrô passam por troca para evitar acidente

Apesar de estarem em operação há apenas seis meses, os novos trens adquiridos pelo Metrô estão passando por inspeções diárias e trocas de todo o sistema de eixos para evitar acidentes. As medidas foram adotadas após uma ocorrência na composição 213, que apresentou deslocamento em uma roda.

Agência Estado |

Fontes na companhia ouvidas pela reportagem afirmam que problemas desse tipo podem provocar descarrilhamento, caso não sejam solucionados. O Metrô afirma que está seguindo os procedimentos necessários e que não há risco para os usuários.

A Secretaria de Estado dos Transportes Metropolitanos está investindo R$ 499 milhões na nova frota para a Linha 2 - Verde - cada unidade custou R$ 31,2 milhões. As composições estão sendo entregues gradativamente desde março e seis já estão em funcionamento. Foi justamente a primeira a entrar em operação, a 213, que apresentou os problemas no sistema de eixos de transmissão e de rodas. Em 17 de julho, técnicos realizavam testes nos novos trens durante a madrugada - fora do horário de operação comercial -, quando foi detectado um barulho forte no contato das rodas com os trilhos.

A composição foi levada para uma vala de manutenção para inspeção. Os técnicos decidiram realizar um trabalho mais minucioso e foi preciso "desprensar" o sistema de rodeiro - formado pelas rodas e eixos que são unidos por meio de um processo de prensagem com um peso de 20 toneladas. Durante o procedimento, foi constatado que a força necessária para separar os componentes foi inferior à usada no processo inverso, um indício de que havia "folga". Além disso, os técnicos descobriram que uma roda havia se deslocado 45 milímetros.

"Pode parecer pouco, mas para um trem a uma velocidade de 60 km/h e carregado, poderia haver um descarrilhamento", diz um engenheiro da equipe de manutenção, que pediu para não ser identificado. O Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários de São Paulo enviou uma correspondência para a direção da companhia, pedindo a retirada de operação dos novos trens. Na ocasião, o Metrô reconheceu os problemas, mas afirmou que não há riscos.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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