O tremor que atingiu o agreste de Pernambuco no final da noite do último sábado não tem relação com o terremoto de 8,8 graus na escala Richter que atingiu o Chile menos de 24 horas antes. A afirmação é do coordenador do Departamento de Sismologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Joaquim Ferreira.

De acordo com informações da UFRN, o tremor atingiu 2,4 graus, e seu epicentro foi localizado em uma área rural entre os municípios de Caruaru e São Caetano, a cerca de 150 quilômetros da capital, Recife.

Mesmo tendo sido sentido por moradores das duas cidades - que relatam a observação de movimentos de móveis e lustres, além de sensações de náuseas e tonturas - o sismo não provocou nenhum dano material e não causou vítimas. A Defesa Civil de Caruaru e o Corpo de Bombeiros da cidade receberam ligações de moradores, mas diante da ausência de sinais de maior gravidade não chegaram sequer a acionar a Coordenadoria de Defesa Civil de Pernambuco (Codecipe). "Estamos acompanhando os relatos com atenção. Mas tudo está sob controle e por isso os órgãos municipais não nos acionaram", destacou o coordenador executivo do órgão, o tenente-coronel Ivan Ramos.

Segundo especialistas da UFRN, este tipo de fenômeno é comum na região, que fica localizada em uma falha geológica de 254 km de extensão, que vai do Recife até a cidade de Arcoverde, no sertão do estado. O último registro de tremor havia sido feito no dia 25 de novembro do ano passado. Na ocasião, o sismo atingiu 2,1 graus e também não causou maiores transtornos. A maioria dos tremores, segundo os técnicos, ocorre em uma profundidade que vai de quatro a seis quilômetros.

O maior abalo sísmico já registrado na área aconteceu em Caruaru, em 20 de maio de 2006, e atingiu 4 graus. Três estações sismológicas são monitoradas pela UFRN na região, em Caruaru, Sanharó e Gravatá. De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Caruaru, Evandro Barreto, o clima na região é de tranquilidade. "É claro que na hora em que o tremor acontece, as pessoas ficam preocupadas. Mas como não há efeitos mais graves, sem feridos ou desabamentos não há maiores problemas", destacou.

O farmacêutico Hugo Abreu, de 38 anos, estava chegando em casa, por volta das 22h30, quando sentiu os efeitos do tremor. "Foi leve. O portão que eu tinha acabado de abrir fechou-se. Fiquei tonto, como se estivesse andando para trás. Mas só desconfiei que fosse um tremor quando olhei para as lâmpadas do jardim e elas estava balançando e não havia vento", afirmou o farmacêutico, que mora no bairro de Maurício de Nassau, na região central de Caruaru.

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