TRE investiga se Crivella usou Cimento Social em benefício próprio

RIO DE JANEIRO ¿ O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro abriu procedimento que investiga se o senador e pré-candidato ao governo do Estado, bispo Marcelo Crivella (PRB) usou o projeto Cimento Cidadão, realizado no Morro da Providência, Centro, em proveito próprio. O documento deve ser enviado ao Ministério Público Eleitoral até o começo da próxima semana, informou o chefe de fiscalização do TRE, Luis Fernando Santa Brígida.

Redação |

Estamos juntando todos os indícios e informações de uma possível irregularidade. Enviaremos o material para o Ministério Público Eleitoral que, se entender que houve ilegalidade, irá representar contra o possível candidato. Isso seguiria para um juiz do TER que vai julgar a questão e definir se vai arbitrar possíveis multas, explicou o chefe de fiscalização.

De acordo ele, não é de agora que o TRE recebeu denúncias contra Crivella. Fomos informados de uma feijoada, no início de março, referente a essa obra do Cimento Cidadão e depois, quando o vice-presidente José de Alencar esteve no Rio, parece que distribuíram um cartão postal que continha a foto do candidato e falava da obra. Chegaram essas denúncias de que poderiam usar a máquina pública para proveito eleitoral, disse Brígida.

Ofícios que solicitam informações da obra foram encaminhados aos ministérios da Defesa e das Cidades. A expectativa é que o material seja recebido pelo TRE na próxima semana.

A lei eleitoral prevê uma série de punições em casos de uso de máquina pública em proveito próprio, como perda de registro, abuso de autoridade e outras medidas se forem comprovadas as irregularidades.

Crivella tentava criar marca de programa social, diz prefeito

Em nota divulgada no seu ex-blog, o prefeito César Maia voltou a criticar o senador, afirmando que ele vinha fazendo uma pré-campanha com dois objetivos: minimizar a rejeição de alguns eleitores e criar uma marca de programa de governo, o Cimento Social.

Crivella vinha fazendo uma pré-campanha com dois objetivos. Um deles era suavizar a rejeição dos que não votam nele. Além disso, tentou criar uma marca e um programa de governo dirigido aos mais pobres, em duas etapas. Na primeira -com o Cimento Social- usava uma comunidade como efeito demonstração e colava a imagem do exército a esse programa, para uso eleitoral, disse.

Segundo Maia, isso criaria expectativa nas demais comunidades e daria garantias com a imagem de tropas do exército. A segunda etapa seria a -zona franca social- onde diria que nas favelas ninguém mais pagaria tributos e isso geraria emprego e renda nelas. A sinalização seria para impostos sobre a circulação de mercadorias, mas a comunicação seria sobre qualquer um, como forma de colocar tudo, até tarifas, no mesmo embrulho.

César Maia afirmou que os fatos no morro da Providência, fizeram desmoronar o esquema de Crivella, e desintegrar sua tática. Nesse momento -no mínimo- ele volta a situação anterior de rejeição militante. Não perde seus votos cativos, mas sua candidatura caminha para voltar a se tornar inviável num hipotético -e não garantido- segundo turno, disse.

O senador Marcelo Crivella foi procurado pela reportagem, mas não retornou as ligações.

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