Travestis reclamam de despreparo da polícia e pedem ala separada em presídios

Brasília - O atendimento dos agentes de segurança pública com relação às travestis é desastrosa, na opinião da presidente da Articulação Nacional das Travestis (Antra), Keyla Simpson.

Agência Brasil |

Desastre. Precária. Não se tem absolutamente nada, precisa-se do básico. O que significa isso? Que as secretarias de segurança pelo Brasil afora orientem seus policiais a lidarem com essa população que está nas ruas se prostituindo, declara.

Para melhorar o tratamento dispensado pelas polícias às travestis e aos homossexuais, algumas propostas foram incluídas no texto que vai servir de base para o Plano Nacional de Combate à Homofobia e pela Cidadania LGBT. Uma delas diz respeito aos presídios. Para não sofrerem abusos e constrangimentos, as travestis reivindicam uma ala separada da dos homens.

Um exemplo das agressões sofridas por esse grupo aconteceu com a travesti Kika Medina. Ela conta que foi agredida à noite em frente a uma câmera de segurança.

Eu estava na rua fazendo um trabalho sobre DST/Aids com outras travestis, quando parou uma moto, o homem que estava na garupa desceu e me espancou. Segundo ela, o crime foi denunciado à polícia e ela fez exame de corpo de delito, mas, mesmo com a fita mostrando o agressor, nada foi feito.

O policial ainda me perguntou o que eu estava fazendo na rua aquela hora da noite. Como se eu fosse culpada, alega revoltada. Agora Kika quer ser candidata a vereadora de São José dos Campos (SP), porque elas [as travestis] precisam de alguém que as represente.

Ela e Keyla alegam que não querem que as travestis fiquem impunes quando cometem crimes. Nós não queremos que a polícia faça vista grossa. Queremos apenas que prenda aquelas que cometerem um ato ilícito, mas não mexa com as outras que estão trabalhando para comer no dia seguinte, alega Keyla.

Além da segurança, Kika e Keyla dizem que as travestis têm grandes problemas para arrumar trabalho e para estudar. Elas precisam ter oportunidades de estudar, se formar e depois decidir se querem se prostituir ou se querem seguir uma outra profissão, diz Keyla.

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