Travesti é morto a facadas em Campina Grande na Paraíba

Segundo a polícia, um menor de 17 anos confessou a responsabilidade pelo crime, que teria sido cometido por vingança

Renata Baptista, iG Pernambuco |

A travesti Daniel de Oliveira Felipe, conhecida como Inete, de 24 anos, foi assassinada após ser perseguida e sofrer agressões e facadas de quatro homens na madrugada desta sexta-feira em uma rua do centro de Campina Grande, no interior da Paraíba.

As imagens das agressões foram gravadas pelas câmeras instaladas pela Superintendência Municipal de Trânsito e Transporte e divulgadas nesta segunda-feira. Nelas, é possível ver os quatro homens chegando em um carro escuro. Três homens descem dele e correm atrás de Inete, que após cair recebe chutes e socos do grupo. Um dos homens a atinge com facadas. De acordo com a polícia, ela recebeu mais de 30 facadas.

null Depois, o motorista que estava no carro deu ré para apanhar os agressores e fugiu com eles.

A delegada Cassandra Maria Duarte Guimarães, da Delegacia de Homicídios de Campina Grande, afirmou que um jovem de 17 anos - que está apreendido em um abrigo para jovens infratores - confessou ter sido o autor das facadas. Em depoimento, o rapaz disse que, cinco dias antes do crime, havia procurado a travesti para que ela conseguisse um programa com uma prostituta.

O jovem disse, no entanto, que a travesti o ameaçou com um estilete em seu pescoço e roubou R$ 800 que estavam com ele - que teria sido o faturamento do trailer do irmão, onde ele trabalha vendendo alimentos.

"Perguntei a ele o porquê de ele não ter procurado a polícia para registrar a ocorrência, e ele disse que já tinha em mente uma vingança", afirmou a delegada.

O irmão do rapaz e dono do trailer, Antônio Pereira da Silva, de 42 anos, também foi preso como suspeito de ter participado do assassinato. Apesar de aparecer nas imagens, ele negou à polícia participação no crime. Ele foi encaminhado ao presídio Serrotão.

A polícia encontrou com os acusados duas facas - uma delas ainda com mancha de sangue e fios de cabelo da vítima -, além de uma espingarda calibre 12.

Os outros dois autores da agressão - que aparecem nas imagens dirigindo o carro e puxando o jovem após as facadas - ainda estão foragidos, mas, de acordo com a delegada, já foram identificados como um parente e um amigo dos que estão detidos.

Os acusados vão responder pelo crime de homicídio.

Vingança

Para a delegada Cassandra, não se trata de um crime homofóbico, e sim de vingança. Segundo ela, nas imagens captadas pelas câmeras é possível ver que eles passaram por travestis e prostitutas no centro de Campina Grande e claramente tinham Inete como objetivo.

Para a Associação dos Homossexuais de Campina Grande (AHCG), o crime é "explicitamente homofóbico". De acordo com comunicado divulgado pela entidade, nas imagens é possível ver uma vida em perigo que clama por ajuda e as pessoas a ignoram como se não estivesse acontecendo nada. "Será a banalização da vida? Ou será que por ser uma travesti não se merece socorro, não se merece dignidade?", afirma o comunicado.

Governador

Mesmo após as declarações da polícia afirmando que a motivação do assassinato da travesti teria sido vingança, o governador da Paraíba, Ricardo Coutinho (PSB), afirmou em comunicado à imprensa divulgado nesta segunda-feira repudiar "o crime com características homofóbicas" e disse que o Estado vai lançar medidas de combate a esse tipo de delito.

"Não podemos permitir que o preconceito e a discriminação tirem a vida de pessoas, destruam famílias e tornem nossa sociedade excludente. O respeito às diferenças é premissa fundamental para a democracia", afirmou o governador, na nota.

De acordo com a Secretaria Estadual de Comunicação Institucional, a Paraíba conta com um órgão específico para elaborar políticas públicas de combate à homofobia - a recém criada Secretaria de Estado da Mulher e da Diversidade Humana.

    Leia tudo sobre: travestiassassinatoparaíbacampina grande

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG