Pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), feita em todo País, revela de 5 milhões de crianças e adolescentes entre 6 e 17 anos têm sintomas de transtornos psiquiátricos. O levantamento, feito em parceria com o Ibope, entrevistou 2.

002 mães de jovens. Os dados do estudo apontam que em 8,7% das crianças pesquisadas prevalecem sintomas de hiperatividade/desatenção. Em segundo lugar estão as dificuldades de aprendizagem, em 7,8%.

A pesquisa não detecta, no entanto, se as crianças efetivamente têm a doença, mas que têm sintomas importantes de determinado transtorno. O uso de álcool e drogas prevaleceu em 2,8% dos entrevistados pela pesquisa assustou os especialistas. “É um número altíssimo se levarmos em conta que não avaliamos só adolescentes, mas também crianças”, afirma a psiquiatra infantil Tatiana Moya, da ABP.

Os sintomas dos transtornos psiquiátricos causam profundo sofrimento emocional nas crianças e adolescentes. Quanto aos pais, além de não conseguirem compreender o que está acontecendo, ainda podem interpretar de maneira errônea o comportamento dos filhos e até castigá-los.

“O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade muitas vezes é entendido como rebeldia”, exemplifica a Tatiana. Os portadores desses transtornos acabam sendo rotulados como maus filhos. Famílias de crianças com transtorno desafiador opositivo passam por situações extremamente estressantes. “São aquelas crianças que de maneira sistemática e em tudo contrariam os pais. Se está calor e a mãe quer que ela vista blusa e saia, irá vestir blusa de manga e calça comprida. A oposição é tanta que muitas vezes não se consegue nem sair de casa com a criança.”

Psicopata

Os especialistas afirmam que crianças com sintomas psiquiátricos não tratados podem se tornar adultos vulneráveis. Os que chegarem à idade adulta sem tratamento terão maior risco de abusar do uso de drogas e ter comportamento violento. “Crianças com depressão vêem o mundo de forma negativa. Um adulto que cresce dessa maneira vai ser inseguro e terá dificuldades, por exemplo, para lidar com as pressões de um emprego.” No caso dos distúrbios de conduta, presente em 3,4% dos entrevistados, a psiquiatra explica que parte desses pode se tornar psicopata.

AE

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