Transtorno bipolar: um mal que precisa ser tratado com urgência

Transtorno bipolar: um mal que precisa ser tratado com urgência Por Adriana Bifulco São Paulo, 05 (AE) - Atualmente é bastante comum ouvir falar em transtorno bipolar. No passado, esse mal era conhecido como psicose maníaco depressiva, mas teve seu nome alterado pois não representava bem a questão.

Agência Estado |

Trata-se de um distúrbio psiquiátrico que tem como característica principal a acentuada oscilação do humor, ocorrendo alternância de fases de depressão e de aceleração eufórica (mania).

Essas oscilações podem causar sérios danos na vida da pessoa. "Nos quadros de exaltação o indivíduo fica acelerado, pensa e fala muito rápido. Ele se sente confiante, poderoso e pode estar alegre e expansivo ou irritável. Ou ainda uma mistura dos dois", explica Montezuma Pimenta Ferreira, psiquiatra do Hospital das Clínicas e do Sírio Libanês, em São Paulo. "O paciente também pode ouvir vozes, sentir que está sendo perseguido, ter insônia, tornar-se imprudente e gastar dinheiro de forma desmedida", complementa Flávio Gosline, psiquiatra do Hospital do Servidor Público Estadual e da Clínica de Psicologia da Unip, também na capital paulista.

Já durante o quadro depressivo, segundo Gosline, a pessoa chora mais facilmente, tem o prazer de realizar atividades diminuído (anedonia), sofre alterações no apetite, apresenta insônia ou hipersonolência, tem diminuição da libido, agitação ou lentificação motora e fadiga, além de sentir-se inútil, ter falta de concentração e, em casos mais graves, idéias suicidas.

Ao contrário de algumas doenças, que só surgem em idade mais avançada, o transtorno bipolar se manifesta entre os 15 e os 25 anos.

Entretanto, ele tende a afetar mais os filhos de pais que têm a doença. Diferentemente dos adultos, nos quais os sintomas são mais claramente definidos, nas crianças e adolescentes há oscilações muito rápidas do humor, entre depressão e mania, muitas vezes num dia.

TRATAMENTO - Por isso é fundamental que o transtorno bipolar seja diagnosticado o mais cedo possível e tratado rapidamente. Além disso, essa terapia precisa ser mantido. "o tratamento é feito à base de remédios e o paciente precisa dormir. Quando não dorme, a pessoa fica transtornada e irritável. Também é importante retirar substâncias que piorem a exaltação como álcool, drogas, se o indivíduo foi consumidor delas, e até determinados remédios", diz Ferreira.

Infelizmente, não há cura para esse mal. "Trata-se de uma doença recorrente. A grande maioria dos pacientes terá uma recorrência nos seis primeiros meses que tentar ficar sem medicação. Na fase aguda é necessário que a pessoa seja internada. Ela também precisa de consultas com muita freqüência", afirma Ferreira.

APOIO - Para que o tratamento seja bem-sucedido há a necessidade de o próprio doente ter conhecimento de seu problema. "Ele precisa saber sobre a doença, identificar seus sintomas e recaídas. A família também deve apoiá-lo. Existem entidades que fazem esse trabalho como a Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos)", garante Ferreira.

A Abrata foi criada em 1999 por um grupo de profissionais de saúde mental do Grupo de Doenças Afetivas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, pacientes e familiares (GRUDA). Trata-se de uma associação sem fins lucrativos, sediada na capital paulista. Seu endereço é Av. Paulista, nº 2.644 conjunto 71. O atendimento ao público é feito exclusivamente através de contatos com equipe de voluntários por e-mails (contato@Abrata.org.br) ou telefone (0XX11-3256-4831 ou 3256-4698).

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