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Transplantado escreve livro para ajudar outras pessoas que precisam de órgãos

BELO HORIZONTE ¿ O engenheiro Rubem Myrrha de Paula e Silva, de 63 anos, não sabia que tinha uma veia literária. Descobriu quando precisou de um transplante de rim em setembro de 1995. Queria informações sobre o assunto, mas não encontrava. ¿Não tinha celular, internet e eu queria ouvir alguém que tivesse passado pela mesma coisa que eu para me contar como era¿, afirma. Por isso, para compartilhar sua experiência, escreveu o livro Sempre Uma Esperança (http://images.ig.com.br/publicador/ultimosegundo/arquivos/plivro_sempre_uma_esperanca.pdf target=_blankleia aqui, em pdf)

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

Arquivo pessoal
Rubem é só sorrisos
Silva pagou do próprio bolso as quatro primeiras edições e, na quinta edição, conseguiu o patrocínio de um laboratório. Mas não sabe se terá necessidade de continuar a imprimi-lo. Ficou mais fácil hoje. Quem me pede mando por e-mail, afirma.

Na última semana, o engenheiro realizou também uma de suas visitas à casa de doentes renais. Com sua irmã Marise, foi tirar dúvidas sobre a doação. As pessoas querem saber se dói, se sara logo, como fica a cicatriz, não só aquilo que o médico fala de quais remédios vão tomar. Acho que meu trabalho ajuda nesse sentido, diz.

O livro foi todo escrito durante o mês em que ficou em casa sem trabalhar se recuperando do transplante de rim. A doença foi descoberta em 1991, durante um exame de sangue na empresa em que trabalhava. Quando descobri meus rins já estavam 50% lesionados, diz. O motivo: diabetes descontrolada.

Silva foi aconselhado pelos médicos a cortar todos os alimentos com muita proteína de sua dieta, como carne e queijos, para diminuir a velocidade de morte do rim, porque cura não havia.

Quando seus rins operavam com capacidade de apenas 10%, foi submetido a hemodiálise. Eram quatro horas por dia de sessão, três vezes por semana. Do tempo em que precisou ficar conectado à máquina, além das dores e cãibras, lembra das pessoas tristes e amarelas. Tinha gente que tinha tanto medo da cirurgia que falava que preferia ficar ali, conta.

Arquivo pessoal

Rubem e sua irmã Marise, que lhe doou um rim

Pela solidariedade de sua irmã Marise, Silva precisou apenas de um mês de hemodiálise. Ela fez todos os exames e se ofereceu para doar seu rim. O receio, porém, se sobrepôs a alegria e o engenheiro chegou a negar a ajuda. Achei ótimo na hora, mas, ao mesmo tempo, fiquei com medo que o gesto dela de me salvar a prejudicasse de alguma maneira. Pensei nos seus três filhos pequenos, afirma.

Na introdução do livro, Marise diz que não pensou em outra possibilidade: achava engraçado quando várias pessoas falavam da minha grandeza, do meu desprendimento (...) Ora, o que me propunha fazer em nenhum momento me soava um sacrifício. Como eu poderia viver tranquila sabendo que poderia ter ajudado uma pessoa que realmente amo a ter vida?.

Convencido pela irmã e pelo médico, Silva se submeteu à cirurgia. Cinco dias depois, os dois foram liberados e, desde então, diz que nunca tiveram nenhum problema.

Quando questionado sobre o que mais o incomodava na doença, Silva é rápido: não poder beber água, ainda mais com este calor de Belo Horizonte. Como o organismo retém líquidos, conta que em uma sessão de hemodiálise chegava a perder de três a quatro quilos, mas eles eram rapidamente recuperados. Cheguei a sonhar com uma garrafa de água geladinha, meus sonhos de consumo foram mudando, ri. Hoje, brinca que está satisfeito: bebo água adoidado. 

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