Economistas, perseguidos durante o regime militar e ex-ministros de Estado. Se depender de José Serra (PSDB), as semelhanças entre ele e Dilma Rousseff (PT), sua principal adversária na corrida à Presidência, param por aí.

Com a experiência de ter governado Estado e capital paulista em pouco mais de cinco anos, Serra abre mão de uma vitória quase certa pela reeleição em São Paulo para não ser lembrado, nos próximos anos, como o melhor presidente que o Brasil nunca teve ¿ conforme definição da revista britânica The Economist, publicada em sua edição de fevereiro.

O histórico de disputas eleitorais e a experiência como gestor público serão as cartas mais fortes do jogo tucano para se contrapor à candidata petista que entra, neste ano, em sua primeira campanha.

AE
Serra candidato ao Senado em 1994
Desde que ingressou na política, como presidente da União Estadual dos Estudantes (UEE) de São Paulo, em 1962, e, depois, como presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), no ano seguinte, Serra já disputou quase todos os cargos políticos possíveis. A Presidência, no entanto, é sua maior obsessão.

Derrotado na primeira vez que tentou a Presidência, em 2002, Serra volta a concorrer ao mais alto posto da República após duas vitórias seguidas ¿ e simbólicas ¿ contra candidatos petistas. Nas duas ocasiões, não bastaram o apoio e o engajamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas campanhas, que prometem ser fortes para fazer sua sucessora neste ano.

Em 2004, o tucano derrotou nas urnas a então prefeita Marta Suplicy (PT), adversária que, ainda no cargo e com o apoio do presidente, pedia a continuidade de sua gestão. Dois anos depois, deixou a Prefeitura, no meio do mandato, e, a contragosto ¿ queria concorrer novamente à Presidência, mas foi desbancado pelo correligionário Geraldo Alckmin ¿ se contentou em disputar o governo do Estado. Venceu no primeiro turno o senador petista Aloizio Mercadante, que tinha Lula em seu palanque.

Vida pública

Logo no início da vida pública, quando era estudante de engenharia, Serra interrompeu a trajetória política para viver como exilado no Chile e nos Estados Unidos por causa do golpe militar de 1964. Só voltaria ao Brasil em 1978, após se formar em economia e obter o mestrado pela Universidade do Chile, onde trabalhou como professor e se tornou funcionário das Nações Unidas. Nos Estados Unidos, obteve também doutorado em ciências econômicas.

De volta ao Brasil, em 1978, trabalhou como professor da Unicamp, pesquisador do Cebrap e editorialista do jornal Folha de S. Paulo. Para contrapor a imagem de erudito, ressalta sempre ser homem de gostos simples, nascido na Mooca, notívago, fã de futebol, do Palmeiras, e, agora, viciado em internet ¿ seu perfil no microblog Twitter é seguido por mais de 184 mil usuários.

Um dos fundadores do PMDB, voltou à vida pública ao ser nomeado secretário de Economia e Planejamento durante o governo Franco Montoro (1983-1987), em São Paulo. Chegou ao Congresso Nacional em 1986, como deputado constituinte. Reeleito em 1990, foi o autor da emenda que criou o financiamento do seguro-desemprego no Brasil e o Fundo de Amparo ao Trabalhador, como fonte de financiamento do seguro. É dele a emenda que determinou a aplicação de 40% do fluxo de recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Em 1995, já eleito senador por São Paulo, interrompeu a vida de parlamentar para integrar a equipe do presidente Fernando Henrique Cardoso. Durante dois anos, foi ministro do Planejamento e Orçamento.

No Ministério da Saúde, a partir de 1998, coordenou a emenda constitucional que fixou valores mínimos para o gasto público em Saúde e comandou uma campanha de combate à Aids. Até 2002, ajudou a implantar os medicamentos genéricos no País e regulamentou a lei de patentes ao fazer ser aprovada uma resolução da Organização Mundial do Comércio (OMC) que permitia a quebra de patentes em caso de interesse da saúde pública.

Ao final da gestão, foi indicado por Fernando Henrique Cardoso como candidato à sucessão. Derrotado em 2002 na disputa contra Lula, foi eleito prefeito de São Paulo, dois anos depois, e recebeu críticas por ter deixado o cargo para disputar o governo paulista, mesmo após ter assinado documentos se comprometendo a cumprir o mandato até o fim.

De volta a uma disputa presidencial, Serra tem como desafio viabilizar um discurso em que se coloca como alternativa a um governo aprovado por mais de 75% da população. Para isso, poupa ataques diretos ao presidente Lula e centra fogo no partido opositor, que acusa de promover o ódio e de alimentar mitologias.

Em seu último discurso como governador , tentou rebater opositores, que o chamam de sisudo e centralizador, dizendo ser apenas sério e monitor. Numa oposição ao governo federal, que os tucanos acusam de promover o inchaço do Estado e a ineficiência administrativa, disse ter ajudado, durante a gestão tucana, a botar o Estado pra funcionar.

Na campanha, usará como principais vitrines de seu tempo como governador projetos como a instituição da lei antifumo e obras viárias, como o Trecho Sul do Rodoanel ¿ inaugurado às pressas antes mesmo de terminadas as obras.

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