Tragédia no Haiti mata ao menos cinco brasileiros

Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - O forte terremoto que atingiu o Haiti na terça-feira matou ao menos quatro militares brasileiros que servem na força de paz da ONU no país caribenho, informou o Exército nesta quarta-feira.

Reuters |

A fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, que estava no Haiti para dar uma palestra, também morreu na tragédia, segundo informações do gabinete do senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho de Zilda.

De acordo com o Exército, os quatro militares mortos são do 5o Batalhão de Infantaria Leve sediado em Lorena, interior de São Paulo. Ao menos outros cinco militares brasileiros estariam feridos.

"O número de óbitos e feridos pode ser mais alto", disse o general Carlos Alberto Neiva Barcellos, chefe do setor de comunicação social do Exército, a jornalistas. "Certamente tem um alto número de (militares brasileiros) desaparecidos", acrescentou.

Segundo Barcellos, vários civis se locomoviam em direção à base brasileira no Haiti em busca de ajuda humanitária.

"A maioria dos prédios no Haiti ou desabou ou sofreu sérios danos", disse um oficial do Exército que pediu para não ter seu nome revelado.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o comandante do Exército, general Enzo Peri, partem ainda nesta quarta-feira em um avião da Força Aérea Brasileira para Belém, onde aguardarão autorização para seguir ao Haiti para avaliar a situação no país. O senador Flávio Arns também fará parte da comitiva.

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva "determinou que fossem feitos todos os esforços (para ajudar)".

"É uma tragédia de grandes proporções... O presidente está absolutamente chocado", disse Amorim, ao sair de uma reunião com Lula, Jobim, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e outras autoridades.

Segundo Amorim, uma ajuda mais concreta só poderá ser feita após avaliação precisa das necessidades do pais.

O governo brasileiro pretende destinar entre 10 e 15 milhões de dólares e 14 toneladas de alimentos para ajudar as vítimas da tragédia, que pode ter matado milhares de pessoas, segundo informações do Ministério de Relações Exteriores.

A FAB colocou às disposição oito aeronaves para ajudar no resgate e no envio de ajuda ao país. O aeroporto da capital Porto Príncipe estava fechado na manhã desta quarta-feira e sua abertura dependia da realização de uma vistoria por parte de autoridades haitianas.

Ainda de acordo com o Itamaraty, a embaixada brasileira em Porto Príncipe sofreu danos, como rachaduras, mas não chegou a ruir. As operações diplomáticas estão sendo conduzidas no Centro Cultural do Brasil no país. O quadro de funcionários da embaixada brasileira na República Dominicana, país vizinho do Haiti, também está sendo reforçado.

O Brasil, que lidera as tropas de paz da ONU no Haiti, participa da Minustah --como é chamada a missão de paz-- com 1.266 militares. O contingente total da missão é de 9.065 pessoas, sendo 7.031 militares, segundo dados de novembro.

Há temores que milhares de pessoas tenham morrido por conta do pior terremoto a atingir o Haiti em mais de 200 anos. O palácio presidencial desabou, assim como favelas localizadas em morros foram destruídas.

(Com reportagem adicional de Natuza Nery, Silvio Cascione e Maria Carolina Marcello)

(Texto de Eduardo Simões e Maria Pia Palermo)

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