Um dia após a tragédia provocada pelas chuvas que matou 38 pessoas em deslizamentos de terra em Angra dos Reis, no litoral sul do Rio, turistas assustados decidiram deixar a Ilha Grande, onde o desmoronamento de uma imensa barreira destruiu uma pousada, quatro residências de moradores e três casas de veraneio. Na ilha já são 26 mortos; no centro de Angra, outros 12.

A chuva também castigou outras regiões do Estado do Rio. Balanço da Defesa Civil contabiliza um total de 54 mortes.

Mesmo com o dia ensolarado após o fim de ano chuvoso, dois saveiros partiram da Enseada do Bananal, na Ilha Grande, com 120 turistas, os últimos que estavam na área do acidente. Cerca de 120 bombeiros, agentes da Defesa Civil e voluntários estão trabalhando na busca às vítimas na Ilha Grande e no Morro da Carioca, no continente, onde quatro corpos foram resgatados nesta manhã, elevando para 12 o número de mortes confirmadas no deslizamento de uma barreira sobre casas da comunidade. De acordo com a Defesa Civil, 337 pessoas estão desabrigadas na cidade, 565 desalojados e 189 residências interditadas.

Na Ilha Grande, dois corpos foram encontrados no início da manhã na Enseada do Bananal, somando 22 vítimas confirmadas na região. Segundo o prefeito de Angra, Tuca Jordão, moradores estimam que 13 pessoas desaparecidas podem estar sob o grande volume de lama e pedras levado pela chuva até a praia na madrugada do primeiro dia do ano. O resgate é dificultado pelo cenário de destruição e pelo cansaço dos agentes.

Hoje os bombeiros começaram a utilizar cães farejadores nos trabalhos de resgate. Mais uma retroescavadeira chegou à ilha, transportada em uma balsa. Agora, dois equipamentos desse tipo são usados na retirada de toneladas de terra e pedras que encobriram sete casas e destruíram parte da Pousada Sankay. Com cerca de 500 metros de extensão, a enseada tem 278 moradores, uma comunidade muito ligada entre si.

Os habitantes de quatro casas, onde morreram 12 pessoas, eram da mesma família. Entre elas, estavam a mulher, as duas filhas e o genro de João Batista de Brito, único sobrevivente de uma das casas.

Remoção

O governador Sérgio Cabral disse hoje que, somente em Angra dos Reis, há 3 mil casas em áreas de risco. Depois de ir à Ilha Grande, Cabral esteve também no Morro da Carioca, em Angra dos Reis, onde prometeu remover todas as famílias em área de risco, indenizá-las e transformar a região do desmoronamento em parque.

Cabral acrescentou que o Estado vai custear a hospedagem no Rio para parentes das vítimas que moram em outros Estados enquanto durarem os trabalhos de busca.

Desabastecimento

As chuvas provocaram muitos transtornos na Ilha Grande, que teve o fornecimento de água e energia prejudicados, assim como o sistema de telefonia. Muitas pousadas estão funcionando com geradores.

Houve deslizamentos em outras regiões da Baía da Ilha Grande, como na ilha particular do cirurgião plástico Ivo Pitanguy, onde estava hospedado Pierre Sarkozy, filho mais velho do presidente da França, Nicolas Sarkozy. No entanto, as construções da ilha não foram atingidas.

A ligação entre Angra e Paraty pela rodovia BR-101 tem 24 pontos de queda de barreira, alguns com crateras e desabamento de parte da pista, prejudicando a circulação de veículos na região.

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