Crime teve destaque nos cinco Estados com maior quantidade de ações da Polícia Federal

Minas Gerais foi o Estado que concentrou o maior número de operações da Polícia Federal em 2010, segundo levantamento realizado pelo iG . Das 272 principais ações no País, 41 foram no Estado, resultando na prisão de 239 pessoas. Em seguida, vêm São Paulo (35 ações e 227 prisões), Rio Grande do Sul (28 ações e 260 prisões), Paraná (25 ações e 573) e Rio de Janeiro (22 ações e 175 prisões). Estas cinco localidades foram responsáveis por 57% do total.

De acordo com o corregedor-geral da Polícia Federal, Valdinho Caetano, estas são as maiores regiões do País. “Embora não exista um foco da Polícia Federal em Estados específicos, é natural que estes cinco representem a maioria das operações deflagradas, não só em 2010, mas em toda linha histórica da corporação. Eles são os maiores do Brasil e por isso temos mais efetivos nestas regiões”, explica Caetano.

Ranking Estados
RK Estado Número de Operações
Minas Gerais 41
São Paulo 35
Rio Grande do Sul 28
Paraná 25
Rio de Janeiro 22
Fonte: Polícia Federal

Tráfico de drogas

Em 2010, o tráfico de drogas foi o tipo de crime mais combatido pela PF, com um total de 71 operações, quase o triplo das relacionadas ao crime financeiro (27). Minas Gerais teve 10 operações contra a prática, empatado com o Rio Grande do Sul. Em seguida estão Paraná (9), São Paulo (8) e Rio de Janeiro (6). O corregedor-geral explica que o número de operações no Rio não teve resultado expressivo pelo fato de a polícia federal ter realizado trabalhos de contenção ao tráfico de drogas em Estados chamados de “corredores”. A intenção da corporação é impedir que as drogas cheguem até a região consumidora.

Agentes da Polícia Federal realizam incineração de 1,37 toneladas de entorpecentes, apreendidos em diversas ações em Ponta Grossa, no Paraná
AE
Agentes da Polícia Federal realizam incineração de 1,37 toneladas de entorpecentes, apreendidos em diversas ações em Ponta Grossa, no Paraná
“Trabalhamos com uma inteligência e acompanhamos todo o cronograma e logística das quadrilhas de tráfico de drogas, assim que identificamos o bando. Na maioria dos casos, focamos na retenção à droga na fonte. No Rio de Janeiro não foi diferente. Impedimos que grande parte das drogas chegasse até lá. Basicamente o tráfico de entorpecentes naquela região foi combatido pelas policias locais, como ocorrido no ano passado, nas ocupações às favelas. Temos um trabalho muito forte de combate a esse tipo de crime em Estados de fronteira, que compõem os chamados corredores do tráfico, e fazemos o possível para que as drogas não cheguem até o seu destino.” 

Ainda segundo informações da polícia federal, um dos maiores entraves para o controle das fronteiras é a extensão terrestre de 16.886 km que o Brasil possui com dez países do continente sul-americano, sendo que mais de 9.700 km de densa floresta tropical é pouco povoada. Este tamanho constitui um enorme desafio à segurança pública brasileira. Por meio da fronteira, tem-se verificado a prática de crimes como tráfico ilícito de drogas; tráfico internacional de arma de fogo, munições e explosivos; contrabando e descaminho; evasão de divisas; imigração ilegal de estrangeiros pela fronteira seca do Brasil e exportação ilegal de veículos. 

Ranking Crimes
RK Crime Número de operações
Tráfico de drogas 71
Financeiro 27
Contrabando 26
Ambiental 22
- Fraude previdência 22
Fonte: Polícia Federal

Fronteiras vulneráveis

A dificuldade no combate ao crime organizado nas zonas de fronteira do País foi abordada pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, na última quinta-feira, durante a inauguração do primeiro Gabinete de Gestão Integrada de Fronteira (GGI-F), em Foz do Iguaçu, no Paraná. No evento, Cardozo admitiu que há um nível elevado de vulnerabilidade nas fronteiras do País, e que é necessário enfrentar de forma articulada o crime organizado nos onze Estados que fazem divisa com outros países. 

Na sexta-feira, o ministro voltou a abordar o assunto, durante a inauguração do segundo GGI-F do País, em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e afirmou que não vai medir esforços para conter o tráfico nas fronteiras. “A questão da segurança pública tem na integração a sua palavra-chave. Sem que os órgãos da União, Estados e municípios se integrem, não teremos segurança de fato. Portanto integração é a palavra-chave. Nós estamos todos juntos. Se perder ou ganhar.” 

Operação Sentinela

Baseado no trabalho de contenção de crimes nas regiões em que o Brasil faz fronteira com outros países, a Polícia Federal deflagrou, em março de 2010, a Operação Sentinela, tida como uma das principais operações da corporação. O foco foi desenvolver atividades operacionais de controle, fiscalização e inteligência policial, em conjunto com equipes de policiais e servidores de outros órgãos, com vistas a aprimorar a prevenção e a repressão aos crimes transnacionais e praticados ao longo de toda fronteira.

A operação foi instaurada com a participação das Forças Armadas, Força Nacional de Segurança Pública, Receita Federal, Polícia Rodoviária Federal e Polícias Civil e Militar no Paraná, Amazonas, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Distrito Federal, Amapá, Rondônia e Santa Catarina. Até o fim do ano passado, 330 pessoas foram presas.

Outros crimes

A PF fez ainda ações no combate ao contrabando (26), crimes ambientais (22) e impugnação a fraudes contra a previdência (22). Em 2010, foram presos 124 servidores públicos. O maior número de autuações foi durante a instauração da Operação Atlântida, com dez servidores presos. A ação – que foi realizada em conjunto com a Controladoria Geral da União (CGU) - teve como objetivo desarticular uma organização criminosa envolvida em esquema de fraudes em licitações e desvios de verbas federais.

Nem mesmo os membros da corporação escaparam da ação da PF. Cinco foram presos pela Operação Hallowen, deflagrada no Rio de Janeiro. Ela teve por objetivo coibir a prática de exploração de caça-níqueis e a adulteração de combustíveis.

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