RIO DE JANEIRO (Reuters) - O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, admitiu que traficantes podem estar entre os funcionários de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Estado. Nesta segunda-feira, a polícia prendeu durante uma operação no complexo Pavão-Pavãozinho-Cantagalo, na zona sul da cidade, Adalto do Nascimento Gonçalves, conhecido como Pitbull, que seria o líder do comércio de drogas na região. Com ele, a polícia encontrou um crachá da empreiteira OAS, responsável por obras do PAC na comunidade.

'À medida que uma pessoa se alista para trabalhar e sua pretensão é atendida, isso é possível de acontecer. Pode ser que tenhamos outras pessoas (traficantes) credenciadas.

Acredito que poderá aparecer sim (outros traficantes na obras do PAC)', disse Beltrame a jornalistas sobre o caso de Pitbull, que trabalhava como vigia em uma obra.

'Isso não vai impedir que continuemos trabalhando e realizando as tarefas', ponderou o secretário na apresentação do material apreendido pela polícia em uma grande operação em três favelas da zona sul da cidade.

A OAS afirmou em nota que 'segue com retidão as determinações legais, especialmente aquelas previstas na Constituição Federal', segundo a qual 'é vedada a discriminação nas relações de trabalho... bem como qualquer motivo que envolva a intimidade da pessoa'.

Na operação desta segunda, ao menos cinco suspeitos foram presos e a polícia ainda apreendeu um fuzil, duas pistolas e uma prensa hidráulica para produzir drogas.

A ação da polícia interrompeu as obras do PAC no complexo Pavão-Pavãozinho-Cantagalo.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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