RIO DE JANEIRO - Traficantes armados ameaçaram jornalistas que acompanhavam a campanha do senador Marcelo Crivella, do PRB, candidato à prefeitura do Rio de Janeiro, na comunidade de Vila Cruzeiro.

O senador fazia caminhada com eleitores na comunidade quando profissionais de três jornais foram abordados por traficantes, um dos quais estaria armado com um fuzil, segundo o jornal. Eles obrigaram os repórteres-fotográficos de "O Globo", "Jornal do Brasil" e "O Dia" a apagar as fotos da cobertura.

Marcelo Crivella, que resolveu fazer uma visita surpresa à Vila Cruzeiro, não viu o incidente, segundo sua assessoria de imprensa. Ele teria tentado cumprimentar três jovens que estavam sentados em uma mesa de concreto em uma viela, quando ouviu que eles não queriam fotos. Em seguida, um dos rapazes abordou os repórteres e informou que eles não tinham a autorização do tráfico para tirar fotos da localidade.

Logo depois, um traficante chegou na garupa de uma moto, armado com um fuzil, e checou o equipamento dos jornalistas. Em entrevista ao jornal "O Globo", o senador Marcelo Crivella disse que continuará indo as comunidades do Rio. "Truculência. Um absurdo. Não tenho palavras para expressar a minha revolta. Como pode, numa cidade onde pagamos impostos, pedir autorização para andar na rua?", questionou.

Governo divulga nota

Em nota, o governo do Rio disse que o episódio era gravíssimo. De acordo com o comunicado assinado pelo governador Sergio Cabral, "o direito de ir e vir de candidatos e da imprensa é sagrado. Fatos como esse, gravíssimo, tornam evidente a necessidade de combate sem tréguas à criminalidade."

"As ações do Estado visam justamente a acabar com áreas em que criminosos se acham donos das comunidades. O Poder do Estado tem que ser a referência para as comunidades - e não os bandidos. O combate ao crime no Rio tem que ser incessante e firme para garantir o processo democrático e a livre circulação de toda a população - o que inclui, naturalmente, candidatos e jornalistas no exercício de suas funções", diz a nota.

O jornalista Tim Lopes, da TV Globo, foi assassinado, há seis anos, na Vila Cruzeiro, comunidade situada no conjunto de favelas do Complexo do Alemão.

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