Traficante foge após entrar em regime aberto no RJ

Apontado como o chefe do tráfico de drogas no Morro da Mangueira, o traficante Alexander Mendes da Silva, o Polegar, saiu da cadeia pela porta da frente na madrugada de segunda-feira e não voltou mais. Condenado a 22 anos por tráfico e associação para o tráfico, Polegar obteve o benefício para o regime aberto após cumprir um sexto da pena.

Agência Estado |

"O regime aberto é um sistema falido, pois 90% dos presos não voltam", reconheceu o juiz Carlos Borges, da Vara de Execuções Penais (VEP), autor da decisão. "O Rio possui apenas um albergue com capacidade para 400 presos. Muitas vezes eles não têm espaço para dormir", afirmou o juiz."

O juiz disse que cumpriu a Lei baseado no parecer da Secretaria de Administração Penitenciária que considerou o comportamento do preso "excelente" e na ausência de novas provas produzidas pela polícia. No entanto, ele reconheceu que há evasão da maioria dos detentos beneficiados. O Ministério Público foi contrário a progressão de regime do traficante.

Esta é a segunda vez que Polegar fuge após ser beneficiado pela Justiça. Ele foi preso em 2002, em Fortaleza, no Ceará, após ficar foragido por sete meses depois de obter o livramento condicional. Polegar ficou conhecido em 2001 após ser apontado pela polícia como o líder da invasão à carceragem da Polinter. Na ocasião, 40 homens armados usaram um caminhão para derrubar um muro e libertar 14 presos. No entanto, a participação dele nunca foi comprovada. Polegar deixou a Casa do Albergado por volta de 5h05 e deveria ter retornado para o albergue ao meio dia de ontem, mas não apareceu.

O governador do Rio, Sérgio Cabral, culpou a atual legislação. "Já colocamos todo o aparato de segurança atrás dele. Esse episódio serve para, mais uma vez, fazermos uma reflexão sobre a legislação condescendente com assassinos e bandidos de toda a espécie", afirmou.

Presidente da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, a deputada federal Marina Magessi (PPS-RJ), que é ex-policial e participou da prisão de Polegar em 2002, discordou. "Não é um erro da Lei, mas de interpretação dos juízes, que é utópica. Um bandido de alta periculosidade como ele nunca voltará a dormir na cadeia todos os dias, porque será morto pelos inimigos em uma emboscada. O Polegar me disse isto quando foi preso", revelou.

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