Tom Maior inova, mas deve perder pontos na evolução

A Tom Maior, quarta escola a desfilar no Sambódromo do Anhembi na noite de estreia do carnaval paulistano, ousou em vários quesitos - comissão de frente, carros alegóricos, baianas. Com enredo em homenagem à Angola, a escola trouxe os integrantes da comissão de frente chorando, fantasias feitas de palha e senhoras de 50 e 60 anos com os seios à mostra.

Agência Estado |

Um problema de evolução no final do desfile, no entanto, deve tirar alguns pontos da escola, reconhece o presidente Marko Antônio da Silva.

A bateria já havia saído do recuo e os integrantes de uma ala à frente dos ritmistas tiveram de correr para encerrar o desfile a tempo, o que deixou espaços vazios entre os integrantes da ala. Mesmo assim, Silva mantém o otimismo: "Dou nota 15 para a escola. Foi maravilhosa." A Tom Maior atravessou a avenida do samba em 1h01 - com quatro minutos de folga em relação ao tempo máximo.

Silva considera a ousadia o maior trunfo da escola. A comissão de frente e o carro abre alas mostravam maltrapilhos, caveiras, armas e pessoas feridas. Era Angola devastada pela guerra civil. Os integrantes da comissão de frente, motivados pelo coreógrafo Luiz Mário, entraram na avenida chorando. E mantiveram o semblante sofrido durante todo o desfile. O primeiro carro da Tom Maior, com quase 20 metros de comprimento, mostrava uma cidade em ruínas e trazia três caveiras gigantes empunhando metralhadoras. Os componentes da escola que estavam no carro interpretavam uma coreografia de violência, com simulação de socos, empurrões e tiros. Por conta das dimensões, o carro era lento, o que deixou um grande espaço entre a comissão de frente e essa alegoria.

Outra surpresa veio em uma das alas que retratava tradições angolanas. No final do setor, 20 senhoras negras deixavam os seios à mostra. Usavam saia rodada com motivos africanos e bonecos de bebês negros presos às costas. Foram muito aplaudidas, principalmente pelas mulheres.

Até na mais tradicional das alas, a das baianas, a Tom Maior inovou. O vestido das integrantes veio rústico, com saia de palha trançada e detalhes em ráfia. Por baixo da longa saia, apareciam três camadas de tecido brilhoso, amarelo, laranja e vermelho.

Tanta novidade empolgou o presidente. "Valeu a pena cada centavo investido", disse Silva. "A crise (econômica mundial) nos prejudicou muito, mas superamos." Ele contou que a Tom Maior contraiu uma dívida de R$ 800 mil para poder colocar a escola na avenida - cifra quase três vezes maior aos empréstimos contraídos ano passado, de R$ 300 mil.

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