Para evitar surpresas e não ter de encarar o risco de uma eventual derrota, o governo decidiu que só vai pôr hoje em votação a indicação do nome de José Antonio Dias Toffoli para o Supremo Tribunal Federal (STF) se o plenário do Senado estiver cheio, com a presença de pelo menos 70 dos 81 senadores. Após contratar uma empresa de assessoria e visitar 75 senadores, Toffoli teria conseguido dobrar as resistências a seu nome e obter maioria folgada a favor da indicação para o STF.

Para assumir, o advogado-geral da União precisa obter, no mínimo, o voto de 41 senadores.

O Congresso está às vésperas do fim do prazo para filiação partidária e parte dos senadores quer viajar logo para seus Estados, o que pode complicar o quórum. Além disso, os partidos de oposição - DEM e PSDB - prometem obstruir a sessão do Senado, caso não seja votado ainda hoje projeto de lei de suplementação orçamentária de R$ 1 bilhão para os municípios. "Se não votar esse projeto, não vota o Toffoli", avisou Agripino.

Toffoli pode enfrentar na sabatina da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) questões polêmicas que marcaram a sua gestão de dois anos e sete meses à frente da Advocacia-Geral da União (AGU). Alguns aliados do governo, ligados ao agronegócio, não gostaram da atuação a favor da demarcação contínua da reserva indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima - os fazendeiros, grandes produtores de arroz, foram expulsos. O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) já avisou que, por isso, votará contra Toffoli.

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