TJ-SP decide que Carla Cepollina não vai a júri popular

A advogada Carla Cepollina não vai a júri popular pela acusação de ter matado o coronel Ubiratan Guimarães, em setembro de 2006. A decisão, de anteontem, é do juiz Alberto Anderson Filho, titular do 1º Tribunal do Júri de São Paulo.

Agência Estado |

Tecnicamente, ela foi impronunciada. Nas palavras do juiz, em sua sentença, "os indícios contra ela não eram suficientes, eram duvidosos". Anderson afirma, ainda, que "canalizaram a investigação apenas em cima dela", o que teria prejudicado a apuração do caso. "Em momento algum questionou-se acerca da possibilidade de o autor do disparo ser uma terceira pessoa", afirmou.

O juiz ainda argumentou em sua decisão que um ataque de ciúme não poderia ser motivo para o crime. "Ora, mesmo a mulher mais desatenta, paciente e tolerante, de imediato percebe quando outra está aproximando-se de seu companheiro, bem como nota, com facilidade, a diferença de relacionamento. Custa crer que a ré, sofrendo concorrência da delegada federal Renata Azevedo dos Santos Madi, decidisse matar a vítima justamente naquele princípio de noite de 9 de setembro de 2006, após passar todo dia com ela, beberem juntos no apartamento e, sobretudo, depois de uma relação sexual."

Desde o início das investigações, a advogada nega a autoria do crime e nunca foi presa. "Graças a Deus saiu essa decisão, me sinto aliviada", disse, no início da noite de ontem, Carla Cepollina, que agora não descarta a possibilidade de mover processos por calúnia e difamação.

O Ministério Público Estadual (MPE) vai recorrer da decisão, que surpreendeu a promotoria. "Respeito a decisão, mas vou recorrer, pois entendo que há no processo elementos suficientes para Carla ser julgada e condenada", disse o promotor João Carlos Calsavara.

Um dos principais argumentos que o MPE pretende usar para que o Tribunal de Justiça reforme a decisão e mande Carla a júri é o fato de que, na pronúncia, o magistrado, conforme sempre determinam os tribunais, deve sempre decidir em favor da sociedade, em caso de dúvida. Assim, a pronúncia é o único tipo de decisão judicial em que a dúvida não deve favorecer o réu. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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