Carmen de Águeda Londres, 27 fev (EFE).- Alice no País das Maravilhas é uma convite para a surpresa, um beliscão para tentar recuperar a capacidade de se surpreender com as coisas novas, característica das crianças, ressalta o diretor do filme, o cômico e sempre surpreendente Tim Burton.

"'Alice' não é uma alegoria sobre a volta à infância nem um filme para crianças", explicou Tim Burton à Agência Efe em Londres, onde promove este filme, que chegará às salas entre março e abril.

Segundo ele próprio, lhe interessa explorar histórias nas quais os personagens "compreendem a vida a partir de um ponto de vista novo e estranho".

Justamente esse novo e estranho ponto de vista é o que o inspirou ao interpretar os personagens do escritor britânico Lewis Carroll.

O diretor de "A Fantástica Fábrica de Chocolate" sustenta que, apesar das inúmeras versões que existem de "Alice no País das Maravilhas", nenhuma chegava a convencer. Por esse motivo, seu filme repercutiu como "diferente" ao que tinha sido feito até agora, com uma interpretação "mais livre" da história e dos personagens.

"No entanto, todos os desenhos foram feitos de olho nos desenhos de John Tenniel (o artista que ilustrou a primeira edição do livro em 1865), porque, embora não tenhamos calcado suas ideias, tínhamos que respeitar o espírito de personagens que se transformaram em autênticos ícones".

O resultado desse difícil equilíbrio é que "Wonderland" se transforma em "Underland" e a cor fica degradê em um lugar cujos habitantes se caracterizam por estarem totalmente loucos.

Não há mais que se fixar no insano e quase esquizofrênico Chapeleiro Louco interpretado por Johnny Depp, para se fazer uma ideia da reinterpretação de Tim Burton do clássico infantil.

"Ele faz coisas inesperadas, rompe padrões, passa da compaixão ao ódio e alterna em uma sucessão de emoções que leva a pensar que sofre algum tipo de transtorno de personalidade. Definitivamente, o Chapeleiro Louco está completamente louco", diz Depp à Agência Efe sobre seu personagem.

Para fazer mais evidentes essas mudanças de personalidade, o intérprete se atreveu com os sotaques e, algo mais difícil ainda para os atores americanos, com o sotaque escocês, que Depp já praticou em "Em Busca da Terra do Nunca", onde encarnava James Matthew, autor de "Peter Pan", outra das grandes parábolas sobre a infância junto a "As crônicas de Nárnia".

A maquiagem, com olhos coloridos de amarelo exagerados digitalmente entre 10% e 15%, o cabelo laranja e, sem dúvida, o chapéu, são os traços característicos do Chapeleiro Louco de Burton.

"Tudo o que contribui para perder mais de você mesmo e a se parecer mais com o personagem é sempre bem-vindo", afirma Depp. O ator confessa que mergulhou no personagem "depois", algo que só tinha feito antes com o capitão Jack Sparrow da saga de "Piratas do Caribe".

O ator e o diretor coincidiram pela primeira vez há 20 anos em "Edward Mãos-de-Tesoura". Desde então, trabalharam juntos em outros seis projetos. Segundo Burton, "assim que surgir o roteiro ideal, com um personagem que encaixe com ele, voltaremos a trabalhar juntos". EFE cda/sa

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