Tiger Woods, Bill Clinton, David Letterman, John Terry: só o perdão das esposas salva

Em nossa era de total e assustadora exposição, o preço de ser celebridade parece mais alto do que foi no passado. Lavar roupa suja em público tornou-se um esporte perigoso, sujeito a todos os olhares do mundo, vindos de todos os suportes que a tecnologia conseguiu inventar.

Cadão Volpato, iG São Paulo |

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Tiger Woods e a mulher, Elin Nordegren: sorrisos ainda em fevereiro deste ano

O golfista bilionário Tiger Woods já vive o seu pior inferno astral nos primeiros meses do ano. Começou em novembro de 2009, quando ele se envolveu num acidente de trânsito banal diante da própria casa. Os boatos davam conta de que, na verdade, ele teria sido agredido pela esposa com o seu instrumento de trabalho, um taco de golfe.

O que se desenrolou a partir daí foi uma série de acontecimentos funestos,disparados pelas inúmeras infidelidades do jogador que começavam a sair do armário. Doze mulheres se apresentaram como ex-amantes de Woods. Holly Sampson, uma estrela pornô, vangloriou-se  de um caso com o astro num programa de entrevistas postado na internet. Outra, Jamie Jungers, disse que fizeram sexo na noite em que o pai dele morreu.

Tiger resolveu ficar na moita. Internou-se numa clínica de reabilitação no Mississippi, para curar a compulsão sexual. Foram seis semanas de tratamento, com detalhes divulgados amplamente  por jornais, revistas e internet. O golfista ficou numa cabana protegida por seguranças; fez voto de castidade temporária; ficou proibido de usar qualquer tipo de tecnologia. E ainda foi obrigado a contar os detalhes de todas as infidelidades para a mulher, a ex-modelo sueca Elin Nordegren. Isso depois dos 300 milhões de dólares que ela teria recebido do marido como presente de Natal, só para a manutenção da família unida. Dinheiro vivo, afirma a imprensa americana.

A coisa toda teve o seu desenlace na última sexta-feira, quando um astro contrito apresentou-se de paletó, sem gravata, diante de uma platéia de 40 pessoas. Havia jornalistas, mas eles não foram autorizados a fazer perguntas ¿ estavam lá não se sabe por que razão. Woods pediu perdão, e, no sábado, já havia voltado para casa. O que aconteceu lá dentro ainda é segredo, mas o esportista deixou para trás outra incógnita: quando retorna para os impecáveis gramados que sempre submeteu com tacadas de gênio? Quanto eles terão ficado maculados depois dessa história?

A questão não é retórica. Woods teme perder os patrocínios milionários da gigante das telecomunicações AT&T, da companhia de tecnologia Accenture, dos relógios suíços Tag Heuer e da Gillette. O perdão foi dirigido também aos patrocinadores. Só a Nike, que paga 40 milhões de dólares ao ano para tê-lo como garoto-propaganda, permaneceu impávida diante do escândalo. Ao final do discurso emocionado, Tiger abraçou a mãe. A esposa não estava lá.

Sim, deve haver o perdão, diz uma letra de Cartola, ecoando as regras do mundo anglo-saxão. Nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha as infidelidades dos astros são perdoadas desde que se faça uma contrição pública. E que as esposas perdoem.

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Bill e Hillary Clinton: Monica Lewinsky é um assunto do passado

É quando sentimos pena das celebridades. Quando vemos Tiger Woods nos braços da mãe. Quando flagramos o ex-presidente Bill Clinton mentindo sobre o seu caso de um ano com Monica Lewinsky, a estagiária que quase derrubou o governo mais poderoso da Terra em 1998.

É quando rimos da história contada em outubro do ano passado pelo apresentador David Letterman, ao vivo no Late Show ¿ a história de como ele estava sendo chantageado por ter feito sexo com algumas mulheres da produção do programa. Ele que ainda foi obrigado a voltar ao assunto para pedir desculpas explícitas à mulher, Regina Lasko, que só então o perdoou (depois de ter alavancado magicamente a audiência pela segunda vez).

Foi o perdão que o zagueiro John Terry não obteve da seleção inglesa, por se envolver com a mulher do próximo, o bem próximo Wayne Bridge, companheiro de time. O escândalo estourou há duas semanas, e Terry acaba de trazer de volta a esposa Toni, que havia se refugiado com as crianças em Dubai. O jogador perdeu a braçadeira de capitão de um dos favoritos da Copa 2010.

A regra não é clara, mas vale para todos. Se você põe ordem em casa, ganhando o perdão da esposa, o mundo pode voltar a ser um lugar generoso para você. Perdoado por Hillary, Clinton é hoje um senhor respeitável, trilhando o caminho quase suave da velhice (com leves alterações provocadas por um problema no coração).

Toni, a esposa de Terry, perdoou o beque, ainda que a nobreza do gesto a obrigue a  uma marcação cerrada sobre o marido. As lágrimas boiando nos olhos de Tiger Woods, transmitidas sexta-feira ao vivo para as televisões do mundo inteiro, já o levaram de volta para os braços da bela mulher que tem em casa. Resta saber se os fiéis tapetes verdes do golfe perdoarão o tigre. 


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