Tia e prima de menina austríaca morta no Rio negam agressões, informa polícia

RIO DE JANEIRO ¿ A tia e a prima da menina austríaca Sophie Zanger, de quatro anos, negaram nesta terça-feira durante o depoimento à polícia que tenham espancado a criança, levando-a a morte. As informações foram confirmadas pelo delegado titular da 36ª DP (Santa Cruz), Aguinaldo da Silva, que está responsável pelo caso.

Redação |

Geovana dos Santos Viana, de 42 anos, e Lílian Viana, de 21, são consideradas pela polícia como as principais suspeitas pela morte da menina. As duas chegaram à delegacia por volta das 11h e deixaram o local às 15h. De acordo com o delegado Aguinaldo da Silva, a tia e a prima de Sophie também disseram que não batiam na menina e nem no irmão dela, de 12 anos.

Elas negaram que tenham agredido a menina e disseram que não batiam nas crianças, informou o delegado. No entanto, as duas confirmaram a história do tombo no banheiro, que já havia sido dita pelo irmão da vítima, completou. Segundo essa versão, Sophie teria caído enquanto tomava banho e batido com a cabeça no box.

Aguinaldo da Silva disse que vai aguardar o laudo do Instituto Médico Legal (IML) com a causa da morte da menina, que, de acordo com ele, deve ficar pronto nesta quarta-feira. Com o documento em mãos, o delegado irá definir os próximos rumos da investigação.

Se ficar comprovado que a causa da morte foi o espancamento, elas poderão ser indiciadas por homicídio doloso. Se ficar comprovado que a causa da morte foi o tombo, elas não serão indiciadas. Mas, de qualquer forma, as duas vão responder pelas agressões com a menina, afirmou.

Segundo o delegado outras testemunhas, como vizinhos de Geovana, estão sendo ouvidos para ajudar na elucidação do caso. Aguinaldo disse que a história da expulsão da mãe de Sophie, Maristela dos Santos, a pauladas da casa da irmã foi confirmada por algumas pessoas que moram na mesma região. No entanto, o fato foi negado por Geovana.

Mãe presta depoimento

AE

Maristela dos Santos (à esq.) deixa a 36ª DP

Na segunda-feira, a polícia localizou a mãe de Sophie , que sofre de distúrbios mentais e estava desaparecida há cerca de três meses. De acordo com o delegado Aguinaldo da Silva, Maristela dos Santos, de 40 anos, se apresentou à Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), no centro do Rio, e de lá foi encaminhada à 36ª DP, onde prestou depoimento.

Aparentemente confusa, a mãe de Sophie afirmou que desconhecia a morte da filha, mas ao mesmo tempo reconheceu que procurou a polícia após ler a notícia nos jornais. Ela contou que está morando no bairro do Estácio, na zona norte do Rio, com um namorado.

Sobre a versão de ter fugido da Áustria com Sophie e o irmão porque o pai deles abusava do menino, Maristela disse que inventou a história para não perder a guarda dos filhos. Segundo a mãe da menina, após a fuga eles chegaram a viver em alguns abrigos em outros países da Europa e, no Rio, ela foi morar com a irmã, Geovana dos Santos Viana.

Maristela relatou à polícia que, meses depois, ela foi expulsa pela irmã a pauladas. Geovana a acusou de ter roubado móveis, documentos e a impediu de ver os filhos. Para a mãe de Sophie, a irmã queria ficar com a pensão que os pais das crianças pagava, no valor de aproximadamente 1.500 euros.

Morte sob investigação

Sophie Zanger, de quatro anos, morreu na madrugada da última sexta-feira no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, na Baixada Fluminense. Ela ficou internada em coma na unidade por uma semana com diversos hematomas pelo corpo. A polícia trabalha com a hipótese de espancamento e a tia e a prima da menina são suspeitas pelo crime.

A criança foi internada em estado grave no dia 12 de junho. De acordo com o boletim divulgado pelo Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, a menina chegou à unidade com 14 quilos, desnutrida, desidratada e com marcas de agressão espalhadas pelo corpo. Além disso, Sophie apresentava contusão na cabeça e os punhos quebrados.

O diretor do hospital, Manoel Moreira, informou que a causa da morte será determinada pelo exame necroscópico realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), para onde o corpo foi encaminhado.

Entenda a trajetória da família

Sophie e o irmão de 12 anos moravam com a tia em Santa Cruz, na zona oeste do Rio de Janeiro. As duas crianças, que nasceram na Áustria, vieram para o Brasil há quase dois anos, acompanhados da mãe, Maristela dos Santos, de 40 anos. Ela era casada com o representante comercial austríaco Sascha Zanger, que conheceu em 1993, quando ele passava férias no Brasil. Após dois anos de namoro, o austríaco levou-a para Viena.

Em 2006, o casal se separou por problemas no relacionamento. No entanto, em janeiro de 2008, a ex-mulher do representante comercial pegou os dois filhos e veio para o Brasil, sem a autorização de Sascha. Maristela foi morar na casa da irmã, mas estava desaparecida desde março. Com isso, a tia das crianças conseguiu a guarda provisória dos sobrinhos.

O pai de Sophie disse que pagava uma pensão de cerca de 1.500 euros para os filhos, mas que eles viviam em um barraco, em condições insalubres. Ela [a tia] só estava vendo os euros. Ela não estava vendo as crianças. Ela não queria cuidar das crianças. A única intenção foi só o dinheiro,  avaliou.

* com informações da Agência Estado e Bandnews

Veja o vídeo sobre o caso:

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