SÃO PAULO - Cristiane Nardoni, tia de Isabella, depôs durante duas horas no 9º Distrito Policial (DP), no bairro Carandiru, na zona norte de São Paulo. Cristiane falou aos delegados Calixto Calil Filho e Renata Pontes acompanhada pelos advogados Rogério Neres de Sousa e Rodrigo Martins, que também defendem Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jartobá, pai e madrasta de Isabella, indiciados pelo homicídio da menina.


Agência Estado
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Cristiane Nardoni chega no 9º DP para depor
Cristiane prestou esclarecimentos sobre um telefonema recebido na noite do crime, 29 de março, quando estava em um bar. Testemunhas contaram à polícia que ela teria dito que o irmão (Alexandre) "teria feito uma besteira". Ela nega ter feito tal comentário.

Estes são os dois últimos depoimentos previstos no caso. No domingo será feita a reconstituição do crime. Logo após a tumultuada entrada dos Nardoni na delegacia, policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE) isolaram a frente do prédio.

Cristiane e o pai, Antônio Nardoni, tiveram dificuldades para sair de casa e também na chegada ao 9º Distrito Policial. Além do assédio da imprensa, diversas pessoas deixaram suas casas para prostestar e pedir justiça em frente à casa da família Nardoni e também na porta do DP, na zona Norte de São Paulo.

Laudos

Os advogados que defedem o casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá tiveram acesso, nesta quarta-feira, aos laudos do Instituto Médico Legal (IML) e do Instituto de Criminalística (IC). Eles foram anexados ao inquérito sobre a morte de Isabella. As informações foram confirmadas pela Secretaria de Segurança Pública.

Eles chegaram ao 9° Distrito Policial, no Carandiru, por volta das 11h15 e afirmaram que foram ao local para tentar obter "uma cópia dos autos", que ainda não tinham conseguido.

Na tarde de terça-feira, a polícia adiou a divulgação dos laudos, que seriam apresentados em entrevista coletiva à imprensa. "Achamos mais oportuno que se adiasse a exposição dos detalhes para que houvesse uma análise pormenorizada dos laudos", afirmou o diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), Aldo Galeano.

O que as investigações revelaram

Até o momento, o que foi revelado pelos laudos do IC é que havia

AP
Caso Isabella chega a sua fase final
sangue no carro de Alexandre, no apartamento do casal e no sapato de Anna Carolina. A polícia sabia, desde o início das investigações, que havia sangue no carro de Alexandre, mas preferiu manter a informação em sigilo para não atrapalhar o encaminhamento do caso e confundir a defesa do casal. Durante a investigação, chegou até mesmo a anunciar que não era sangue a mancha encontrada no veículo.

De acordo com a polícia, havia sangue no encosto do banco do motorista, no assoalho do veículo e na lateral da cadeirinha de bebê. No apartamento, o sangue teria sido encontrado do hall de entrada até o quarto dos filhos do casal. Exames confirmaram que o sangue é de Isabella Nardoni.

Trilha de sangue - o laudo também apontou que havia uma trilha de sangue na cena do crime que o assassino tentou disfarçar. Ela começava no carro de Alexandre e continuava a partir da entrada do apartamento. Por isso, a perícia chegou à conclusão de que Isabella chegou ferida ao apartamento do 6º andar do Edifício Residencial London.

A trilha de sangue foi produzida por pingos que caíram de uma altura de 1,2 ou 1,3 metro de altura, o que é compatível com a altura do pai da menina. O rastro começa no carro de Alexandre, o Ford Ka estacionado na garagem do 2º subsolo do prédio, e só foi revelado após a aplicação do luminol (substância química que destaca manchas invisíveis a olho nu).

Além da porta do apartamento, a trilha continuava, passando ao lado da mesa com seis lugares e do sofá de couro preto. Em seguida, os pingos mostraram que o assassino de Isabella levou a menina no colo pela sala onde estava a tevê de plasma de 50 polegadas até o corredor em direção dos quartos.

Uma gota foi identificada, por exemplo, na frente da porta do banheiro. O criminoso entrou na primeira porta à esquerda - o quarto de Cauã e Pietro, que fica antes do de Isabella. Ele pôs Isabella em cima da cama enquanto cortava a rede da tela de proteção, daí a mancha de sangue no lençol encontrada no quarto.

Pegada de chinelo - foi então que o assassino escorregou e pisou no lençol da cama. É ali que foi encontrada a pegada característica do chinelo que Alexandre usava na noite do crime.

Tela cortada - a tela foi cortada rapidamente com uma faca e com uma tesoura - na roupa de Alexandre havia partículas de naílon da tela. Isabella foi segurada pelas mãos a 20 metros de altura. Foi solta primeiro pela mão esquerda e depois pela direita. Havia uma mancha de sangue em forma de dedos de criança a 5 cm do parapeito da janela.

Marcas no pescoço - os peritos também constataram que as marcas no pescoço da menina foram provocadas por esganadura. Pela extensão e o tipo das lesões internas, tudo leva a crer que a compressão foi feita por alguém não tão forte.

Reprodução/ TV Globo
Quarto de onde Isabella foi jogada
Versão do pai - o fato de Isabella ter chegado ferida ao prédio desmente o álibi do pai. Em seu primeiro interrogatório, Alexandre afirmou que ela estava bem quando chegou ao prédio. Isabella dormia. Alexandre afirmou que levou a menina no colo até o quarto dela. Alexandre contou à polícia que levou Isabella sozinho até o apartamento enquanto sua mulher e seus dois outros filhos aguardavam na garagem. Segundo ele, quando voltou ao apartamento encontrou a tela da janela rompida e a criança havia sido jogada.

Arrombamento e invasão - não havia sinais de arrombamento no apartamento nem de uma possível invasão do prédio. Os peritos usaram um homem de 1,9 m de altura para exemplificar que seria impossível que alguém escalasse o muro dos fundos do prédio para entrar no imóvel. Concluíram que não havia possibilidade de que uma terceira pessoa tivesse invadido o prédio e matado a menina.

A trilha de sangue no apartamento foi desfeita às pressas pelo criminoso. O que ele não contava era que o rastro de gotas de sangue e a presença de manchas na fralda fossem detectadas pelo uso do luminol.

Os peritos também analisaram as fitas de vídeo do sistema de segurança do Edifício London e do prédio em frente. Em nenhum momento foi observada a presença de pessoa estranha ou veículo entrando no prédio no dia do crime.

Portanto, os dois únicos adultos que estavam no apartamento naquela noite eram o pai e madrasta da menina. Essa certeza se deve ainda a um dos princípios de toda perícia criminal: todo contato deixa uma marca. Nenhuma outra pessoa deixou marcas dentro do apartamento além dos dois acusados. Todas as marcas e vestígios no lugar foram feitos pelo casal e pelas três crianças.

O caso

AE
Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

*Com informações da Agência Estado

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