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Thomaz Bastos: escuta pode ter ocorrido sem Abin notar

O ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos considera possível que alguém de dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) possa ter feito o grampo telefônico de representantes das três esferas do governo sem o conhecimento da direção da Agência. É uma estrutura muito grande, com muitos funcionários e ex-funcionários, que tem know-how e tecnologia.

Agência Estado |

Acho possível, mas não dá para saber, portanto não vou fazer um exercício de adivinhação aqui", afirmou a jornalistas, após participar de evento na capital paulista em comemoração aos 40 anos da revista Veja.

Bastos observou que há muitas hipóteses para esse caso. "Pode ser que tenha saído da Abin, pode ser que tenha saído da iniciativa privada ou da iniciativa privatizada, mas só a investigação é que vai dizer", declarou. Ele elogiou a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de afastar a alta direção da Abin até que todo o episódio seja desvendado. "O assunto é sério e seu responsável precisa ser descoberto", disse.

O ex-ministro da Justiça teceu muitos elogios ao delegado Paulo Lacerda, afirmando que ele fez um "trabalho exemplar" na direção da Polícia Federal e que lançou linhas modernas de investigação, como não havia antes, no período em que Bastos comandou a pasta.

"Falei com o Dr. Paulo Lacerda por telefone ontem e ele estava bastante sereno", avaliou, acrescentando que o delegado colocou o seu cargo à disposição para que não se pudesse dizer que haverá ingerência de qualquer servidor público na apuração desse caso. "Ele colocou o cargo à disposição e o presidente (Lula) entendeu que, para dar mais transparência às investigações, ele deveria permanecer afastado", explicou. Além de Lacerda, toda a alta direção da Agência está afastada.

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