Testemunhas prestam depoimento sobre morte de administrador no Rio

RIO DE JANEIRO ¿ A polícia começa a ouvir nesta quarta-feira algumas testemunhas da perseguição policial que resultou na morte do administrador Luiz Carlos Soares da Costa, de 36 anos. Segundo o titular da 17ª DP (São Cristóvão), José Moraes Ferreira, os primeiros a serem ouvidos serão os funcionários de um posto de gasolina localizado próximo ao local do crime.

Redação |

Na noite desta segunda-feira, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, fez comentários sobre o ocorrido após assistir às imagens feitas pelo SBT. As cenas registram o momento em que os PMs interceptaram o carro da vítima e como foi feito o atendimento.

Reprodução
Policial retira Luiz Carlos do carro baleado
A polícia agiu corretamente, reagiu aos tiros que foram dados, fez a perseguição, chamou reforço e foi agredida a tiros. Reagiu com um tiro no pneu do carro, mas a retirada destes indivíduos do veículo não foi a correta, não se pode tratar um ser humano desta forma, muito embora sendo ainda para socorrê-los como a PM tem feito normalmente, destacou o secretário.

Em seguida, Beltrame lembrou que o dever do policial é o de salvar vidas. Segundo o secretário, o profissional não pode receber tiros ao tentar interceptar um carro. O que é repreensível é a conduta de policias que atiram a esmo.

A polícia não pode receber tiros, a nossa obrigação é proteger vidas. A pessoa atirou na viatura e a polícia vai reagir. O que a polícia não pode é atirar sem saber onde, em quem e como isto está acontecendo, concluiu.

Imagens

Imagens exclusivas feitas pelo repórter cinematográfico José Lucas,

Reprodução
Policiais levam a vítima para a ambulância
veiculadas no telejornal SBT Rio, do SBT, mostram como os policiais militares abordaram o carro do administrador Luiz Carlos Soares da Costa. Nas cenas, os PMs aparecem cercando o veículo com as armas apontadas para os dois ocupantes. A vítima e o bandido aparecem sendo puxados do carro sem qualquer cuidado pelos agentes.

Em uma imagem, Luiz Carlos é puxado pelos pés e seu corpo bate no chão. O policial militar ainda empurra seu braço com o pé. As cenas também revelam que o administrador estaria com vida quando foi tirado do automóvel, mas os agentes não acionaram uma ambulância. Quando o socorro chegou, Luiz Carlos e o assaltante foram levados de qualquer maneira para uma viatura do Batalhão Prisional, que levou os feridos para o Hospital Geral de Bonsucesso. No final da ação, um dos PMs assume a direção do veículo do administrador e o retira da pista, desfazendo assim a cena do crime.

Depois de assistir às imagens, o Relações-Públicas da Polícia Militar, tenente-coronel Rogério Luiz Teixeira Leitão, afirmou que o "desvio de conduta" dos policiais será apurado através de um Inquérito Policial Militar (IPM). Os agentes foram afastados do serviço nas ruas e fazem, até a conclusão do IPM, trabalhos burocráticos dentro do batalhão.

"Não é a forma adequada de prestar o socorro e há várias punições que podem ser aplicadas, desde a prisão por 30 dias até a expulsão", disse o tenente-coronel.

Mais cedo, antes de ver as imagens, o RP havia declarado em entrevista coletiva que a atitude dos policiais no ocorrido foi adequada. Segundo ele, os agentes somente revidaram os tiros disparados pelo bandido. O tenente-coronel descartou comparações entre a morte de Luiz Carlos e a do menino João Roberto, há duas semanas.

Investigação

AE
Carro da vítima foi atingido por dez tiros
Os dois veículos envolvidos no crime foram analisados no local por peritos do Instituto de Criminalística Carlos Éboli. Segundo a análise, no carro da vítima foram encontradas dez perfurações feitas de fora para dentro. Na viatura da PM, foram encontrados dois tiros. Os três fuzis utilizados pelos policias e a pistola PT 380 usada pelo assaltante também serão periciados. O resultado geral da perícia deve ficar pronto em dez dias. Além de ouvir testemunhas, a polícia vai pedir imagens do circuito interno de TV do posto de gasolina localizado próximo ao local do crime.

O caso

Luiz Carlos morreu na noite da última segunda-feira após uma perseguição policial feita por quatro agentes do 22º BPM (Bonsucesso). O administrador voltava da academia para casa e estava parado em um sinal de trânsito da avenida Leopoldo Bulhões, em Bonsucesso, quando foi abordado pelo assaltante Jeferson Santos Leal, de 18 anos.

O bandido mandou que Luiz Carlos se sentasse no banco do carona e assumiu a direção do automóvel. Uma viatura do 22º BPM (Bonsucesso), que fazia patrulhamento de rotina e passava no local no momento do assalto, percebeu a ação e iniciou uma perseguição ao veículo até São Cristóvão.

Segundo os policiais, na Avenida Brasil, o bandido efetuou disparos contra a viatura da PM. Os agentes revidaram e atingiram Luiz Carlos com três tiros. Já o assaltante, foi atingido nas costas e obrigado a parar o carro. Os dois foram levados para o Hospital Geral de Bonsucesso, mas o administrador chegou morto ao local. Jeferson foi operado e não corre risco de morte.

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