Testemunhas afirmam que prédio não era uma fortaleza, diz advogado

SÃO PAULO - O advogado Ricardo Martins, representante da defesa do casal Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, pai e madrasta da menina Isabella, morta no dia 29 de março, afirmou que as testemunhas ouvidas pela policia nesta quarta-feira demonstraram como era possível que alguém tenha entrado no edifício London, de onde Isabella foi jogada pela janela do sexto andar, no dia do crime.

Lecticia Maggi, repórter Último Segundo |

Ricardo Martins, que acompanhou os depoimentos das testemunhas da lista que foi apresentada pela defesa, saiu da delegacia por volta das 13h50. Segundo o advogado, "as testemunhas foram ouvidas para comprovar três coisas: a vulnerabilidade do edifico London, a perda das chaves pela Anna Carolina e demonstrar que alguns apartamentos ficaram abertos e expostos a qualquer pessoa que quisesse entrar.

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O advogado declarou que as testemunhas ouvidas hoje são prestadoras de serviço, mas a Secretaria de Segurança Pública (SSP) confirmou que uma delas é a corretora de imóveis que vendeu o apartamento para o pai de Alexandre e que a outra é uma montadora de móveis.

Não posso entrar em detalhes sobre o depoimento das testemunhas, mas elas vieram comprovar veementemente que o edifício London não é aquela fortaleza que todos têm demonstrado.

Martins também afirmou que pessoas podem comprovar a harmonia vivida pelo casal e que não irá se manifestar sobre o possível indiciamento do publicado pela imprensa . Não vou me manifestar já que não é uma informação oficial. O casal está totalmente à disposição da Justiça e se forem intimados, comparecerão com certeza.

O advogado finalizou afirmando que confia na inocência do casal e que a hipótese de haver mais pessoas no local do crime não pode ser descartada. "A defesa entende que enquanto os laudos não tiverem prontos não é possível confirmar com convicção que não existe a terceira pessoa no local. É possível ter uma terceira, uma quarta e até uma quinta pessoa que pudesse ter ocasionado o delito, afirmou.

Indiciamento

De acordo com o jornal "Folha de S. Paulo", a polícia decidiu indiciar o casal sob a acusação de ter assassinado Isabella. A conclusão estaria baseada em laudos extra-oficiais. Segundo a "Folha", após o indiciamento, a polícia pedirá à Justiça a decretação da prisão preventiva do casal. Nardoni e Anna devem ser novamente interrogados na próxima sexta-feira pelos delegados que trabalham desde o dia 30 para esclarecer o "homicídio qualificado consumado".

Reprodução/ TV Globo

A publicação afirma que o relatório que a polícia irá apresentar à Justiça para o pedido da prisão preventiva do casal já está praticamente pronto. Somente os espaços para a indicação e descrição de cada um dos laudos do IC e do IML que ajudaram a polícia a formar a convicção contra Nardoni e Anna estão em branco.

Até o início da tarde, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) informou que ainda não registrou nenhum pedido de prisão preventiva relativo ao caso. Após o eventual recebimento do pedido, que seria analisado pelo juiz Maurício Fossen, o mesmo que analisou o pedido de prisão temporária do casal, o prazo para a tomada de decisão é de 48 horas.

Hoje, o coordenador da Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC), Celso Perioli, afirmou que os laudos relativos à investigação não estão prontos. "Não há resultado oficial dos laudos e não há previsão", afirmou. A polícia aguarda justamente a conclusão desses laudos para pedir prisão preventiva do casal.

Casal visita filhos

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá saíram por volta das 9 horas de hoje da casa dos pais de Alexandre, no Tucuruvi, zona norte de São Paulo, para visitar os dois filhos pequenos, que estão na residência dos pais de Anna Jatobá, em Guarulhos. O casal, que carregava algumas sacolas, não conversou com os jornalistas.

O caso

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Isabella era filha do consultor jurídico Alexandre Alves Nardoni e da bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira. A cada 15 dias, ela visitava o pai e a madrasta Anna Carolina Trotta Peixoto.

No sábado, dia 29 de março, a garota foi encontrada morta no jardim do prédio em que o pai mora. A polícia descartou desde o princípio a hipótese de acidente. O delegado titular do 9º Distrito Policial Carandiru, Calixto Calil Filho, declarou que Isabella foi jogada da janela do apartamento por alguém.

O delegado destacou o fato de a tela de proteção da janela do quarto ter sido cortada e de ninguém ter dado queixa de desaparecimento de pertences no local.

O pai teria alegado à polícia que um homem invadiu o seu apartamento. Ele e Anna Carolina afirmam ser inocentes e, por meio de cartas, disseram esperar que "a justiça seja feita".

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