Testemunha contra acusado de assassinato Dorothy Stang sofre atentado

RIO DE JANEIRO - Uma das testemunhas no processo contra um dos acusados pelo assassinato da freira americana Dorothy Stang, ocorrido em 2005 na Amazônia, sofreu um atentado na quinta-feira passada e seu estado de saúde é grave, informou hoje a Agência Brasil.

EFE |

O agricultor Roniery Bezerra Lopes sobreviveu ao ataque de pistoleiros apesar de ter sofrido graves ferimentos nas pernas, na cabeça e na boca.

Desde então, ele está hospitalizado em local não divulgado por medida de segurança.

Lopes foi baleado pouco depois de ter recebido uma notificação para prestar depoimento no processo por fraude e falsificação de documentos contra o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, um dos principais acusados pelo assassinato de Stang e o único que ainda não foi julgado.

O fazendeiro, que responde em liberdade pelo homicídio da religiosa e conseguiu adiar o julgamento com diferentes recursos judiciais, também é réu em processo por fraude e apropriação ilegal de terras.

O processo foi reaberto depois que a Promotoria descobriu que o fazendeiro estava tentando vender um lote de terra em que a freira foi assassinada em Anapu, no Pará.

Apesar de ter negado no julgamento ser o proprietário da área de 3 mil hectares no meio da Amazônia onde Stang queria fazer um assentamento de sem-terras, algumas testemunhas, entre estes Lopes, revelaram que Galvão tentava vender o local.

O fazendeiro alegava, inclusive, que por não ser proprietário do lote em disputa não tinha motivos para querer assassinar a freira.

A Promotoria descobriu que o fazendeiro tinha falsificado documentos para apropriar-se do lote, o que motivou a abertura do novo julgamento.

Galvão foi detido em 2006 e esteve preso por um ano até o Supremo Tribunal Federal conceder um habeas corpus permitindo aguardar o julgamento pelo assassinato da freira em liberdade.

O fazendeiro é acusado de financiar os pistoleiros no Pará para assassinar camponeses e militantes contrários aos fazendeiros nessa conflituosa região amazônica.

A religiosa de 73 anos que se destacou por suas ações em favor dos camponeses sem-terra e em defesa de preservação ambiental foi assassinada a tiros em fevereiro de 2005.

Dos outros cinco acusados pelo assassinato de Dorothy Stang, quatro foram condenados, mas um deles foi absolvido em segundo julgamento, que posteriormente foi cancelado, e está sendo processado novamente.

O fazendeiro Vitalmiro Brutos de Moura, que foi condenado em um primeiro julgamento a 30 anos de prisão por ter encomendado e financiado o assassinato, foi absolvido em segunda instância e espera em liberdade um novo julgamento.

O fazendeiro se beneficiou que o pistoleiro Rayfran das Neves Sales, autor confesso do crime, mudou seu depoimento e disse que atuou por conta própria e não sob encomenda de Brutos.

Os outros dois condenados pelo crime foram condenados a 17 e a 18 anos de prisão e, após terem completado três anos de prisão, foram beneficiados pelo regime semiaberto.

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