Testemunha chora ao falar de Farah Jorge Farah em julgamento

SÃO PAULO - O julgamento do ex-cirurgião Farah Jorge Farah, acusado de matar Maria do Carmo Alves, em 2003, recomeçou nesta quarta-feira, às 10h, no 2º Tribunal do Júri de São Paulo, no Fórum Santana. O júri é presidido por Rogério de Toledo Pierri. Já foram ouvidas duas antigas pacientes do ex-médico. As duas choraram e disseram ter sido molestadas após acordarem de suas cirurgias plásticas.

Redação |

A primeira testemunha disse estar em tratamento psiquiátrico desde o contato com Farah. A segunda não conseguiu depor na presença de Farah. Ela chorava muito e o juiz pediu que o antigo médico fosse retirado do local. As duas negaram terem mantido relacionamentos amoroso com ele.

A recepcionista do antigo consultório de Farah também foi ouvida. Ela disse que ele era normal e a tratava bem. Os julgamentos tiveram uma pausa para o almoço, mas foram retomados por volta das 15h.

Farah vai a julgamento sob as acusações de esquartejar, assassinar e ocultar o corpo de Maria do Carmo Alves. Devem ser ouvidas 23 testemunhas no julgamento todo, sendo que 10 já foram ouvidas na terça-feira. A previsão do presidente do Júri é que as atividades sejam concluidas em 2 ou 3 dias, mas será feito um esforço para diminuir esse prazo.

Chegando ao Fórum Santana, no primeiro dia de julgamento, o ex-cirurgião foi cercado por jornalistas, tropeçou e caiu, pelas pernas pouco firmes decorrentes de problemas de saúde.

Ainda no primeiro dia dos trabalhos, um erro do cartório quase fez com que o julgamento fosse adiado pela terceira vez. O cartório esqueceu de convocar uma testemunha de defesa para depor, mas um promotor se dispôs a buscar a testemunha em Santo André.

A primeira testemunha a depor foi o próprio Farah. Segundo ele, houve uma luta e resumiu sua versão dos fatos dizendo que matou por legítima defesa. O ex-médico alega que Maria o procurou com uma faca e, após desarmá-la, não se lembra de nada.

A mãe de Maria do Carmo, Alice Paulice Silva, e o pai dela, Amaro Silva, vieram com a família assistir ao julgamento. Espero por justiça, quero que ele fique preso por muito tempo. Só eu sei o que sofri por ela. Alice fez questão de dizer que Maria e Farah nunca foram amantes e se revoltou com essa sugestão da defesa.

Minha filha era evangélica, odiava adultério. Ela era casada e não precisava desse velho, afirmou a mãe, que disse considerar o marido de sua filha, o porteiro João Augusto de Lima, como seu filho.

Indagada se já havia encontrado o réu alguma vez, Alice disse que não. Se pudesse não olharia para ele, para aquelas mãos assassinas que tiraram a vida da minha filha.

Crime

O assassinato aconteceu na clínica do médico, em Santana, no dia 24 de janeiro de 2003. Agravam as acusações o fato de ele ter desfigurado a vítima para evitar o reconhecimento do corpo. O médico teria, ainda, injetado tranqüilizante na vítima. Farah esteve em prisão preventiva entre 2003 e 2007, quando obteve o habeas-corpus.

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