Terremoto mata ao menos 12 brasileiros no Haiti

Por Raymond Colitt e Natuza Nery BRASÍLIA (Reuters) - O pior terremoto a atingir o Haiti em mais de 200 anos levou destruição ao país mais pobre das Américas e matou ao menos 12 brasileiros, incluindo a fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, que estava no país caribenho para uma série de palestras.

Reuters |

As demais vítimas brasileiras eram militares que serviam na missão de paz da ONU no Haiti, a Minustah.

Um prédio de cinco andares usado pela missão de paz da Organização das Nações Unidas desabou na tragédia de terça-feira, assim como o palácio presidencial e várias favelas da capital Porto Príncipe.

Em nota, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou-se "profundamente consternado com a tragédia". O ministro da Defesa, Nelson Jobim, embarcou no início da tarde desta quarta-feira para o Haiti para avaliar a situação no país.

O governo brasileiro também decidiu destinar entre 10 e 15 milhões de dólares em ajuda, além de 14 toneladas de alimentos.

"A maioria dos prédios no Haiti ou desabou ou sofreu sérios danos", disse um oficial do Exército que pediu para não ter seu nome revelado.

Segundo o embaixador do Haiti no Brasil, Idalbert Pierre-Jean, o país caribenho precisa de "ajuda total". "Estamos aqui para dizer que as necessidades são infinitas", disse ele a jornalistas em Brasília.

A morte de Zilda Arns foi confirmada na manhã desta quarta-feira pelo gabinete do senador Flávio Arns (PSDB-PR), sobrinho da coordenadora da Pastoral da Criança.

"Ela estava caminhando com um militar na rua... Teve o terremoto e os escombros a pegaram", disse Maria José Camargo, assessora do gabinete do senador, acrescentando que o militar também morreu.

O senador paranaense embarcou junto com Jobim para o Haiti. Também estão no avião da FAB rumo ao país caribenho o comandante do Exército, general Enzo Peri, o almirante da Marinha Julio Soares de Moura Neto, além de representantes dos Ministérios da Saúde e das Relações Exteriores.

Entre as baixas militares, sete eram do 5o Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lorena (SP); dois do 2o Batalhão de Infantaria Leve, localizado em Santos; um do 37o Batalhão de Infantaria Leve, sediado em Lins (SP) e um coronel, que servia no gabinete do comandante do Exército, em Brasília.

De acordo com o general Carlos Alberto Neiva Barcellos, chefe do setor de comunicação social do Exército, há mais militares brasileiros desaparecidos. "O número de óbitos e feridos pode ser mais alto", disse ele em entrevista coletiva.

O general afirmou ainda que vários civis se dirigiam em direção à principal base brasileira no Haiti em busca de ajuda humanitária.

Após reunir-se com Lula, Jobim e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, disse que o presidente "determinou que fossem feitos todos os esforços (para ajudar)".

A Força Aérea Brasileira colocou oito aeronaves à disposição e afirmou que o envio de água e alimentos às vítimas da tragédia terá prioridade.

O Itamaraty informou que a embaixada brasileira em Porto Príncipe sofreu alguns danos, como rachaduras, mas não ruiu. as operações diplomáticas estão sendo realizadas no Centro Cultural do Brasil no Haiti e o quadro de funcionários da embaixada na vizinha República Dominicana seria reforçado.

Para o presidente haitiano, René Préval, que sobreviveu à tragédia, o terremoto de magnitude 7 pode ter deixado milhares de pessoas mortas.

O Brasil, que lidera as tropas de paz da ONU no Haiti, participa da Minustah --como é chamada a missão de paz-- com 1.266 militares. O contingente total da missão é de 9.065 pessoas, sendo 7.031 militares, segundo dados de novembro.

(Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello e Isabel Versiani em Brasília e Silvio Cascione em São Paulo)

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG