Teresina tem surto de crianças viciadas em crack

Na capital do Piauí, 60% dos viciados em drogas consomem crack. Para piorar a situação, centros de tratamentos estão lotados

Wilson Lima, iG Maranhão |

Dados do juizado da Infância e da Juventude de Teresina apontam que pelo menos 60% das crianças e adolescentes que tem envolvimento com drogas são dependentes do crack.

Ainda pelos dados do juizado, de cada 50 adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas em Teresina, 45 tiveram algum tipo de envolvimento com o uso de drogas (foram presas traficando ou em furtos cujo dinheiro seria usado na compra de drogas).

O envolvimento das crianças com drogas em Teresina é quase sempre o mesmo: por influência de amigos e até mesmo da família. As autoridades de saúde da capital do Piaui também estão preocupadas com o avanço de uma outra droga que começa a ser espalhar pela cidade: o oxi ou oxidado, uma variante do crack com valor de mercado inferior e maior capacidade de transformar o usuário em dependente químico.

Esses dados se somam a um outro levantamento, que também mostra a presença do crack em cidade. Um total de 2.714 crianças e adolescentes de 11 a 17 anos são viciadas em drogas na capital. A conclusão é de um levantamento da ONG Grupo dos Amigos da Vida divulgado nesta semana. Entidades de proteção à criança e ao adolescente estão preocupadas com o aumento do volume de viciados e com a lotação dos centros comunitários de assistência a dependentes químicos. Esses dados são preocupante porque, hoje, a capital do Piaui tem 814 mil habitantes. É um número muito alto para uma cidade que não tem nem 1 milhão de habitantes. 

Segundo o coordenador da pesquisa, Miranda Neto, há casos de famílias inteiras que são viciadas em drogas pesadas, com o crack. “Essa é uma questão de família, não necessariamente do Estado. Por isso, somente com o apoio das famílias, temos condições de resolver esse problema”, declarou em entrevista à TV Meio Norte, do Piauí “A nossa preocupação é que quando um adolescente se vicia no crack, não há recuperação”, complementou.

Um exemplo de envolvimento de famílias inteiras com o crack ocorreu em meados do ano passado. Em julho, Simone Alves da Silva, foi presa com 150 pedras de crack em sua residência junto com o filho de 17 anos. Os dois eram traficantes e dependentes da droga.

Esse universo de crianças e adolescentes dependentes de drogas, para o Grupo dos Amigos da Vida, provocou a lotação dos Centros Comunitários de Assistência de Teresina. No Centro de Assistência Psicossocial (Caps) Infantil de Teresina, conforme informações de funcionários, são cada vez mais freqüentes os casos de crianças e adolescentes em envolvimento com drogas.

    Leia tudo sobre: PiauiTeresinacrack

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG