Falar sobre os traumas, medos e inseguranças com pessoas que vivem situação parecida é uma forma de se superar o Transtorno de Estresse Pós-Traumático (Tept), distúrbio que atinge cerca de 17% da população da capital paulista. Pesquisa da psicóloga Rosaly Braga Campanini, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), revelou alto índice de melhora nos sintomas e aumento da qualidade de vida em pacientes que passaram por psicoterapia interpessoal de grupo.

O estudo foi realizado no Programa de Atendimento e Pesquisa em Violência (Prove) com 40 pessoas que passaram a sofrer de Tept após passarem por uma situação de violência entre 2005 e 2008. Pacientes crônicos que sofriam os sintomas por dois anos e meio (em média) e não haviam respondido à medicação, eles participaram de 16 sessões de psicoterapia, em grupos de 6 a 8 pessoas. Ao final do tratamento, a redução média dos sintomas foi de 50% e a melhora da qualidade de vida, em torno de 80%.

Esses números seguem uma escala internacional que vai de 0 a 136 pontos. A média dos sintomas dos pacientes de Tept era de 72,3 (severo). No final do tratamento, o número caiu para 36,5 (leve). Segundo a coordenadora do estudo, em cerca de seis meses, o número da escala de um paciente com quadro leve pode chegar a zero. “No grupo, as pessoas interagem, ouvem as histórias dos outros e expõem o seu problema”, diz Rosaly. “À medida que isso ocorre, ocorre a melhora e os sintomas tentem a desaparecer.”

A psicóloga explica que a lembrança do acontecimento (agressão, abuso sexual, sequestro, entre outros) impede a pessoa de viver normalmente. “O paciente revive a cena e passa a evitar locais, situações ou grupos sociais”, afirma, acrescentando que depressão ou ansiedade são sintomas comuns. “Adotam um mecanismo disfuncional, que parece funcionar, mas prejudica sua vida.”

Humberto Maia Junior

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