Terapia ataca doença auto-imune na origem

Um caminho relativamente novo para o tratamento de doenças auto-imunes tem se mostrado cada dia mais promissor: a terapia-alvo, que visa a neutralizar o mecanismo que leva ao problema, em vez de tratar o efeito. Esse caminho, também chamado de terapia biológica, tem gerado a publicação de seguidos artigos científicos no último ano, aprimorando o conhecimento dos cientistas e abrindo novas rotas terapêuticas, enquanto sua aplicação médica aumenta - também no Brasil.

Agência Estado |

Só um dos principais especialistas no assunto do País, o médico e pesquisador Morton Scheinberg, possui seis artigos em revistas científicas indexadas em 2008. Além das publicações voltadas exclusivamente às doenças auto-imunes, outras revistas médicas, como a tradicional The Lancet , têm aberto um espaço maior para artigos com essa temática.

“Esse tipo de terapia difere dos clássicos imunosupressores porque é seletiva”, diz Scheinberg, do Hospital Albert Einstein, de São Paulo. Com apenas dez anos de estudo, ela é atualmente indicada para pessoas que apresentam resistência aos tratamentos usuais. Esse índice varia de um quadro para outro, mas pode chegar de 50% a 70%.

Alvo - Quando o corpo entende que um de seus componentes é inimigo em vez de amigo, e parte para o ataque, surgem as doenças auto-imunes. Nesse quadro, estão a artrite reumatóide, a psoríase, a doença de Crohn, a espondilite, entre outras.

Até hoje, ninguém sabe com certeza o que desencadeia o “fogo amigo”. Mas a boa notícia é que os detalhes desse processo são conhecidos.

O ataque é lançado pelas células de defesa B, T e macrófagos. Elas liberam, de forma exacerbada, uma série de substâncias chamadas citocinas que, por sua vez, provocam uma inflamação no alvo. Esse alvo varia de acordo com a doença: pode ser o tecido ósseo, o conectivo, a epiderme.

Duas citocinas são particularmente visadas pelos cientistas: o fator de necrose tumoral alfa e a interleucina 1. Na terapia-alvo, os pacientes recebem uma injeção com moléculas - feitas em laboratório, pela engenharia genética - que grudam nessas citocinas, impedindo-as de levar adiante a tarefa de inflamar o tecido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo .

AE

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