Tenente-coronel da PM pega 18 anos por traficar armas

A juíza federal Silvia Regina Salau Brollo, de Ponta Grossa, a cerca de 120 quilômetros de Curitiba, condenou ontem o tenente-coronel Valdir Copetti Neves a 18 anos e 8 meses de reclusão e à perda do cargo, sob acusação, entre outros crimes, de tráfico internacional de armas e formação de quadrilha. Neves tinha sido denunciado pelo Ministério Público Federal por formar milícias armadas para proteger fazendeiros contra invasões de terra.

Agência Estado |

Ele foi um dos ouvidos pela CPI do Tráfico de Armas em 2005.

Neves e outras sete pessoas foram presas em abril de 2005 durante uma operação da Polícia Federal, chamada de Março Branco, em oposição ao Abril Vermelho, que o Movimento dos Sem-Terra (MST) tinha implantado, elegendo aquele mês para invasões de terras. No cumprimento de busca e apreensão, os policiais encontraram 16 armas de fogo e várias munições. Na época, a PF informou que escutas telefônicas indicavam que as armas vinham do Paraguai. O tenente-coronel, que tem mais de 30 anos de cargo público, foi beneficiado, posteriormente, com habeas-corpus.

Detalhes do processo não podem ser pesquisados na página que a Justiça Federal mantém na internet, em razão do segredo de justiça. Apenas a sentença foi liberada hoje para consulta. Em relação à acusação de tráfico internacional de arma de fogo, que pesa sobre o tenente-coronel, a juíza considerou que, por pertencer à Polícia Militar, ele sabia da "ilicitude da conduta", com a agravante de que tinha como dever profissional "combater o crime, ao invés de praticá-lo".

Para ela, Neves "geria o grupo armado, o qual, manifestamente, prestava contas e obediência a esse acusado". Considerou, ainda, que sua atitude em relação aos outros membros da quadrilha era de constrangimento ilegal, além de fornecer armas com numeração raspada. O tenente-coronel também foi condenado por ter colocado drogas no veículo de outra pessoa com o intuito de incriminá-la. "Ao praticar essa série de atos criminosos, o réu frustrou as expectativas da sociedade", disse a juíza. "Assim, faz-se absolutamente imperiosa a perda do cargo público de tenente-coronel da Polícia Militar."

Outras nove pessoas também foram condenadas no mesmo processo a penas de reclusão que vão de seis meses a dez anos e dez meses. Três acusados que estavam na reserva da Polícia Militar também foram condenados à perda dos cargos. Todos podem recorrer em liberdade. O advogado do tenente-coronel Copetti Neves, René Dotti, foi procurado, mas não houve retorno dos telefonemas.

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