Temporão recomenda adiar viagem a Chile e Argentina por gripe

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, recomendou nesta terça-feira que idosos, crianças e pessoas com problemas de saúde adiem viagens ao Chile e Argentina para prevenir infecções pelo vírus H1N1. Segundo o ministro, deve haver prudência e bom senso nesse momento, já que as férias escolares estão se aproximando. Chile e Argentina são os países da América do Sul com mais casos da nova gripe.

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"Basicamente o que as autoridades sanitárias recomendam é que pessoas com mais de 60 anos, crianças de até 2 anos, pessoas em tratamento de quimioterapia ou de Aids, ou seja, pessoas imunodeprimidas, se possível, adiem viajar para países onde o vírus circula", disse o ministro a jornalistas em São Paulo.

"Não é uma determinação, porque a Organização Mundial da Saúde não indica qualquer restrição a viagem, mas é uma recomendação. Se for uma viagem imprescindível ok, mas ao viajar que as pessoas cumpram as orientações das autoridades de saúde locais."

Até a noite de segunda-feira, o Chile registrava sete mortes e 4.325 casos da doença, e a Argentina tinha 10 mortos e 1.213 infectados. Mas, segundo o Ministério da Saúde, a transmissão do vírus no Brasil continua não sustentada.

Os únicos países com transmissão sustentada, segundo a OMS, são EUA, México, Canadá e Austrália.

No Brasil, segundo balanço do ministério divulgado na tarde de segunda-feira, há 240 casos confirmados da gripe H1N1, o que é considerado pelo ministro uma situação "tranquila". A maioria dos casos, 110, está no Estado de São Paulo.

Por isso, a Secretaria da Saúde de São Paulo foi a primeira a recomendar que as pessoas evitem viajar para Argentina e Chile, medida ratificada depois pelo ministro. A secretaria estendeu a recomendação também para os demais países da América do Sul que registram transmissão da gripe.

"Essas pessoas --grávidas, idosos, crianças de até dois anos e pessoas imunodeprimidas-- deverão evitar ao máximo se deslocar para outros países da América do Sul onde há transmissão da doença", informou, em nota, a secretaria.

De acordo com um balanço da secretaria, 40 por cento dos casos registrados no Estado até a segunda-feira foram de pacientes que se infectaram em viagem à Argentina. Outros 15,5 por cento contraíram a doença nos Estados Unidos, 5,1 por cento, no Chile, e 2,5 por cento, no Canadá.

EMERGÊNCIA NO RS

No Rio Grande do Sul, a cidade de São Gabriel decretou situação de emergência pela suspeita de que 17 moradores estariam contaminados pela gripe H1N1. Contabilizando sete casos confirmados e 25 suspeitos em todo o Estado, as autoridades sanitárias gaúchas consideraram "excesso de zelo" o decreto municipal.

"Não temos necessidade de medidas extremas. É um excesso de zelo para tentar impedir a transmissão local, mas não é uma medida recomendada pelo protocolo que adotamos", disse Francisco Paz, diretor do Centro Estadual de Vigilância Sanitária do Rio Grande do Sul, à Reuters.

A situação de emergência foi decretada na segunda-feira pelo município de 60 mil habitantes, localizado a 329 quilômetros de Porto Alegre. A medida foi tomada depois que uma adolescente de 14 anos, que voltou da Argentina, apresentou sintomas da doença e teria circulado por locais públicos.

Em nota oficial, a prefeitura explica que, em consequência da medida, ficam suspensas por tempo indeterminado "as aulas em todas as instituições de ensino públicas e privadas, estabelecidas no município de São Gabriel, bem como fica vedada a realização de festivais, boates, shows, bailes, cultos e manifestações religiosas, assim como quaisquer outros eventos que importem na aglomeração de pessoas em locais fechados".

Uma escola particular de Porto Alegre também suspendeu as aulas por um período de uma semana, depois que um aluno teve diagnóstico confirmado de gripe H1N1.

Escolas de São Paulo e uma de Belo Horizonte também interromperam as aulas devido a casos da doença, conhecida como gripe suína.

(Por Carmen Munari, com reportagem adicional de Fábio Murakawa, Sinara Sandri em Porto Alegre; texto de Tatiana Ramil)

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