O número de municípios catarinenses em situação de emergência subiu de cinco para 31, todos eles localizados no extremo sul do Estado, na região de Araranguá, próximo à divisa com o Rio Grande do Sul, segundo o Departamento Estadual de Defesa Civil do Estado. Na última sexta-feira, um ciclone extratropical atingiu o Sul do país deixando dois mortos e mais de 25 mil desabrigados.

Ainda segundo a Defesa Civil, a cidade catarinense mais atingida é Ermo, onde 40 famílias estão desabrigadas e foram encaminhadas ao prédio da prefeitura. Em Jacinto Machado, algumas famílias estão desalojadas e foram levadas a casas de parentes. Já os moradores dos outros dois municípios afetados sofrem com os alagamentos, as inundações e a destruição causados pelas chuvas, mas não há desabrigados nem desalojados. Outras 27 cidades foram atingidas no Estado, porém a situação delas é um pouco menos caótica.

De acordo com o capitão Márcio Alves, diretor da Defesa Civil do estado, ainda não foi possível contabilizar o número de desabrigados, devido à dificuldade de acesso.

Nós estamos usando tratores para chegar a algumas comunidades e ainda assim com uma certa dificuldade, por isso é difícil levantar quantos são os desabrigados. Temos alguns municípios, como Ermo e Jacinto Machado, com áreas isoladas e por isso vamos deslocar hoje um helicóptero para a região informou.

O diretor explicou que a situação vem se agravando porque a chuva continua na região serrana do estado, aumentando a captação de água em vários rios e fazendo-os transbordar. As águas do Araranguá, por exemplo, estão quase atingindo a BR- 101, principal ligação entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Segundo Alves, se o nível do rio não baixar nas próximas horas, será preciso interditar a estrada.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o Estado mais prejudicado, duas pessoas morreram e mais de 25 mil estão desabrigadas, de acordo com a Defesa Civil estadual. O município de Guaíba é um dos mais atingidos, apesar de a Defesa Civil não informar quantas pessoas foram afetadas. Já em Porto Alegre, mais de 1,5 mil pessoas estão desalojadas e foram acolhidas na casa de parentes e amigos. Cerca de 350 pessoas foram encaminhadas a abrigos da prefeitura.

Contudo, segundo a Defesa Civil, ainda não há cidades em situação de emergência. No litoral do Estado, os municípios de Santo Antônio da Patrulha, Caraá e Itati são os mais afetados. Na zona sul Restinga, Belém Novo, Belém Velho, Ponta Grossa e Lami, foram os bairros mais prejudicados. Já na zona norte, Sarandi e o Porto Seco são os bairros mais atingidos.

Ondas gigantes

Ondas de 2,5 a 4 metros de altura atingem o litoral brasileiro do Rio Grande do Sul até o Rio de Janeiro neste domingo. O 5º Distrito Naval da Marinha divulgou dois alertas de ressaca, resultado do ciclone com ventos de até 100 quilômetros por hora que atingiu o Sul do País na sexta-feira.

O mar fica agitado, com ondas de 3 a 4 metros do Arroio Chuí, no Rio Grande do Sul, até o Cabo Santa Marta, em Santa Catarina. Do Cabo de Santa Marta até Cabo Frio, no Rio de Janeiro, as ondas têm de 2,5 a 3,5 metros. A previsão da marinha é de que a ressaca dure até as 9 horas de desta segunda-feira.

A Marinha recomenda restrição de navegações na região. Desde a passagem do ciclone até o meio dia de hoje, não havia registros de acidentes ou desaparecimento de embarcações na área.

Mortes

Neste sábado, o temporal com forte chuva e rajadas de vento de até 100 quilômetros por hora provocou a morte de um motorista e de uma idosa de aproximadamente 80 anos, de acordo com o jornal "Zero Hora". A idosa morreu em uma residência invadida pela água na Estrada do Espigão, no Lami, Região Metropolitana de Porto Alegre. A causa da morte ainda é desconhecida.

O caminhoneiro José André Pinheiro Parnechi, de 36 anos, também morreu em decorrência do temporal em Serafina Correa, na Serra do RS. Ele desceu de seu veículo para ajudar outros motoristas a remover galhos da RS-129. Quando estava na pista foi atingido por outra árvore, derrubada por nova rajada de vento, e não resistiu aos ferimentos.

(*Com informações das agências Brasil e Estado)

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