Temor de gripe H1N1 faz RJ e MG transferirem servidoras grávidas

SÃO PAULO (Reuters) - Integrantes do grupo de risco para a nova gripe H1N1, as grávidas foram o centro de novas medidas de combate à doença anunciadas nesta quarta-feira após os governos de Rio de Janeiro e Minas Gerais decidirem afastar as servidoras gestantes do contato com o público e, em alguns casos, licenciá-las de suas funções. Nós estamos recomendando às empresas privadas com grávidas que têm contato com o público que as preservem, afirmou o secretário Estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Sérgio Côrtes. Ou elas devem ser remanejadas e, se não for possível, sejam colocadas de licença até 28 de agosto.

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Para as servidoras do Estado, a ordem é que as funcionárias públicas grávidas fiquem em casa até 28 de agosto. Das 35 mortes registradas pela doença no Rio de Janeiro, nove eram gestantes.

Em Minas Gerais, funcionárias grávidas da rede Estadual de ensino serão afastadas por tempo indeterminado a partir de segunda-feira. O Estado contabiliza três mortes pela nova doença.

"Essa é uma medida preventiva, já que as gestantes têm se mostrado mais vulneráveis ao vírus da Influenza A H1N1", informou a Secretaria da Saúde em nota.

Na terça-feira, São Paulo já havia recomendado a transferência de funcionárias gestantes para áreas nas quais haja menor risco de contágio pela doença.

Segundo dados do Ministério da Saúde, das 192 mortes registradas pela doença no país até 8 de agosto, 106 (55,2 por cento) tinham algum fator de risco. Estão no grupo de risco da nova gripe, além das grávidas, obesos, idosos ou pacientes com doenças anteriores ou em tratamento.

Ainda segundo o balanço do ministério, de todos os casos confirmados de gripe H1N1 no Brasil, 8,5 são gestantes. A pasta informou também que, das 192 mortes no país, 28 eram de gestantes (14,5 por cento).

Nesta quarta-feira, o número de mortes pela nova gripe no país chegou a 236, com a confirmação de 19 novos óbitos no Paraná. O Estado, que soma 58 vítimas, ultrapassou o Rio Grande do Sul, que teve 55 mortes, e é agora o mais atingido em número de óbitos pela nova gripe no Sul do país.

O total de mortes baseia-se nos dados informados pelas Secretarias Estaduais de Saúde e pelo Ministério da Saúde.

São Paulo é o Estado com maior número de mortes, 75 de acordo com o ministério. A Secretaria de Saúde, no entanto, confirma apenas 69 mortes.

30 MILHÕES DE VACINAS

Nesta quarta-feira, chegou ao Instituto Butantan, em São Paulo, a cepa do vírus da nova gripe, que havia desembarcado no país na véspera. Segundo o Isaias Raw, presidente da Fundação Butantan, a expectativa é de produção de 30 milhões de vacinas na primeira metade do ano que vem.

"Médicos, enfermeiros e até quem dirige a ambulância deverão ser prioridade. O restante ficará a cargo da decisão do Ministério da Saúde", disse Raw, segundo comunicado do Butantan.

Também devem ser compradas 1 milhão de vacinas prontas do laboratório Sanofi Pasteur e outras 17 milhões de doses semi-prontas que deverão ser purificadas, formuladas e envasadas no instituto.

Depois de dois adiamentos por conta da gripe H1N1, a volta às aulas na rede estadual de ensino do Rio de Janeiro foi confirmada para a próxima segunda-feira.

Os alunos que estiverem gripados não devem ir às aulas, segundo recomendação das autoridades de saúde. As faltas deverão ser abonadas.

Alunos de escolas particulares também retornarão às salas de aula na semana que vem.

"Os professores e diretores foram orientados a manter a ventilação das salas de aula, a higiene e a lavagem das mãos será acompanhada pela escola", disse a secretária Estadual de Educação, Tereza Porto.

As aulas perdidas com o prolongamento das férias serão repostas em oito sábados e haverá extensão do período de aulas até 22 de dezembro.

Na capital fluminense, estudantes do quarto ao nono ano --cerca de 55 por cento dos alunos-- retornarão às atividades na segunda-feira. Crianças menores voltarão às escolas apenas no dia 24.

Em São Paulo, o retorno às aulas da rede Estadual de ensino também foi mantido para segunda-feira (17).

Também nesta quarta-feira foi publicada no Diário Oficial da União medida que obriga o uso de máscaras durante visitas a presos. O instrumento também deverá ser usado por servidores que têm contato com os presos e visitantes. A medida vale por tempo indeterminado em todos os presídios federais do país.

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