Temer quer votar reformas, mas admite dificuldades

BRASÍLIA (Reuters) - O novo presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP), afirmou nesta terça-feira que pretende concluir a votação das reformas política e tributária até o início de 2010, embora considere que a proposta de reforma tributária necessite de mais discussões. Temer foi eleito pelos deputados na segunda-feira para suceder o deputado Arlido Chinaglia (PT-SP), vencendo Aldo Rebelo (PCdoB-SP), e Ciro Nogueira (PP-PI).

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"Ou nós fazemos neste ano e no comecinho do ano que vem, ou não faremos mais", disse Temer a jornalistas depois de ser questionado sobre a sua previsão para a conclusão das tramitações das duas reformas.

"Tenho os pés no chão nessa coisa. Pretendo agilizar essas discussões e levá-las adiante, porque no ano que vem, a partir de março e abril, começa discussão para as eleições para os governos estaduais e para presidente da República".

O presidente da Câmara revelou que pretende pedir aos deputados mais ligados à discussão da reforma tributária que se reúnam novamente com governadores, prefeitos e representantes do setor produtivo com o objetivo de chegar a um entendimento sobre o projeto.

"Você não pode fazer uma reforma tributária que desagrade muitos setores da nacionalidade. É preciso compatibilizar esses interesses todos", comentou.

A proposta da reforma tributária está pronta para ser votada no plenário, mas oposição e governo não chegaram a um acordo sobre o assunto. Há uma proposta de reforma de política na Comissão de Constituição e Justiça da Casa.

O presidente da Câmara assegurou que pretende colocar em votação todos os projetos considerados polêmicos, inclusive os que representam aumentos de gastos, e por isso são criticados pelo governo, como o aumento dos benefícios para aposentados e a criação de mais vagas de vereadores.

Temer também mostrou-se favorável à votação dos projetos que regulamentam o lobby e criam regras para combater o trabalho escravo.

O deputado disse que pretende restringir o campo de atuação das medidas provisórias, instrumento que tem poder de lei usado pelo Executivo.

"Não vou evitar nenhum tema polêmico. Eu não engavetar nenhuma espécie de projeto".

ELEIÇÃAO 2010

Temer confirmou que pensa "verdadeiramente" em se licenciar da presidência do PMDB, ocupada por ele há 7 anos. Ele alegou que acha difícil acumular os dois cargos, uma vez que a presidência da Câmara demandará muito trabalho nos próximos dois anos.

Ele disse que o PMDB ainda não decidiu se apoiará a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), ou o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na eleição presidencial de 2010, pois o partido ainda não decidiu que rumo tomará na disputa. Parte do PMDB apóia a pré-candidatura de Dilma, enquanto outros setores da legenda preferem outro rumo.

"É uma discussão que vamos fazer internamente e a decisão será tomada no tempo certo pela audiência de todos os setores do partido", explicou Temer.

O presidente da Câmara afirmou que pretende cortar gastos da Casa, mas não demonstrou receptividade à idéia de reduzir os benefícios dos parlamentares.

(Reportagem de Fernando Exmani)

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