Temer nega que PMDB tente barrar CPI da Petrobras

BRASÍLIA- O presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB), negou nesta sexta-feira que seu partido esteja articulando uma ação para barrar a instalação da CPI da Petrobras, no Senado.

Redação com Agência Estado |

O PMDB faz parte da base aliada do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, mas se uniu à oposição e apoiou a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar irregularidades na estatal após ter perdido cargos na administração federal. "De jeito maneira, não estamos tentando barrar não", disse.

Segundo matéria publicada na edição desta sexta-feira do jornal "Valor", o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros, já teria arregimentado sete integrantes da base governista para uma ofensiva a fim de evitar a instalação da CPI. Após participar de evento do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e Mogi das Cruzes, na capital paulista, Temer disse que o PMDB está apenas "tentando ajustar a composição da CPI".

O deputado esquivou-se de comentar o escândalo dos atos secretos no Senado Federal, envolvendo o presidente da Casa, José Sarney, companheiro de partido de Temer. Sarney teria nomeado conhecidos e parentes como funcionários do Senado de forma sigilosa. Questionado se havia atos secretos na Câmara, foi evasivo: "Que eu saiba, não." Para Temer, a crise de imagem não paralisa o Congresso. "Entre maio e junho votamos 89 projetos."

Cotado para sair como vice na chapa encabeçada pela ministra Dilma Rousseff (PT) para a Presidência, em 2010, Temer tergiversou sobre essa possibilidade. "Fala-se (que sairei vice). Eu nunca falei." Questionado sobre outro virtual vice de Dilma, o deputado Ciro Gomes (PSB), que também é cogitado para concorrer ao governo de São Paulo, Temer teceu elogios. "Ciro é uma figura, tem história política, está habilitado a qualquer cargo no País."

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período.

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