Temer nega barganha por diretoria da Petrobras

O presidente nacional do PMDB, deputado federal Michel Temer (SP), negou neste sábado que o partido esteja pressionando o governo para obter a diretoria de Exploração e Produção da Petrobras, conhecida também como diretoria de pré-sal, ocupada por Guilherme Estrella, indicado pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

Redação com Agência Estado |

Ao participar do Congresso Estadual do PMDB, realizado na Assembleia Legislativa de São Paulo, Temer rejeitou a tese de que o partido aguarda uma decisão a respeito da diretoria da estatal para indicar os nomes dos senadores que vão integrar a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Petrobras, criada para investigar supostas irregularidades na estatal.

"É inteiramente falso. A CPI não tem absolutamente nada a ver com pleito nenhum do PMDB. O partido não está postulando e não quer nenhuma vaga, pois já está compensado no governo."

Temer citou que o PMDB já ocupa seis ministérios e possui cargos importantes na administração direta e indireta. "Não há absolutamente pleito nenhum", reiterou. O deputado, ao falar sobre a CPI, declarou que o PMDB deve ocupar a presidência ou a relatoria da comissão por ter a maior bancada no Senado.

"A orientação é fazer uma coisa muito séria, não algo de natureza meramente política. Como maior partido, o PMDB terá a presidência ou a relatoria. Não porque queira, mas porque o regimento do Senado determina", explicou.

Temer disse não ter certeza sobre qual será o nome do partido para o cargo de presidente ou relator. "Ouço dizer que será o Romero Jucá", disse, referindo-se ao líder do governo no Senado.

Já o presidente estadual do PMDB, o ex-governador de São Paulo Orestes Quércia, disse que uma negociação nos termos que vem sendo noticiada, de troca de apoio numa CPI pela Diretoria de Exploração e Produção da Petrobras, "não está na cartilha do partido". "Eu acho que, se isso for verdade, é ruim para o partido. O PMDB precisa mudar", disse o ex-governador.

2010

Temer, que fará uma palestra sobre reforma política no congresso estadual do partido, destacou que a posição do PMDB nas eleições presidenciais de 2010 será definida apenas em convenção nacional. Foi uma resposta indireta a Quércia, que é contra uma aliança com o PT. Quércia defende que a legenda apoie o atual governador paulista José Serra (PSDB) para a Presidência da República em 2010.

"Nós aqui em São Paulo temos uma definição. Temos restrições imensas ao governo do PT nacional e gostaríamos imensamente que tivéssemos candidatura própria. Como isso é muito difícil, e não queremos apoiar a continuidade do PT no governo, queremos mudanças e entendemos que essa mudança vem a ser a candidatura de Serra pelo PSDB", defendeu.

Quércia ressaltou que essa é uma tendência do partido nos Estados. "Dentro do PMDB, a situação é muito diferente daquilo que se fala, Temos os deputados e senadores, que são muito importantes, é claro, mas não são só eles que manobram o PMDB", afirmou.

Temer disse que pretende ouvir o partido. "Sou presidente do PMDB há muito tempo e sempre decidimos em convenção nacional. É a convenção que decide o rumo que tomamos."

Entenda a CPI

A CPI criada para investigar irregularidades na Petrobras contou com o apoio de 30 senadores, três a mais que o número mínimo necessário para a criação de uma Comissão de Inquérito. O autor do pedido é o senador tucano Álvaro Dias (PSDB-PR).

Em seu requerimento, Álvaro destaca os seguintes pontos a serem investigados:

  • Indícios de fraudes nas licitações para reforma de plataformas de exploração de petróleo apontados pela operação Águas Profundas da Polícia Federal;
  • Graves irregularidades nos contratos de construção de plataformas, apontados pelo Tribunal de Contas da União;
  • Indícios de superfaturamento na construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, apontados por relatório do Tribunal de Contas da União;
  • Denúncias de desvios de dinheiro dos royalties do petróleo, apontados pela operação Royalties, da Polícia Federal;
  • Denúncias de fraudes do Ministério Público Federal envolvendo pagamentos, acordos e indenizações feitos pela ANP a usineiros;
  • Denúncias de uso de artifícios contábeis que resultaram em redução do recolhimento de impostos e contribuições no valor de R$ 4,3 bilhões;
  • Denúncias de irregularidades no uso de verbas de patrocínio da estatal.


A CPI vai ter 180 dias para realizar seus trabalhos, podendo ser prorrogada por igual período.

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