Temer lança Rossi em São Paulo para neutralizar Quércia; leia a entrevista exclusiva

BRASÍLIA - Poucas horas antes do jantar entre a cúpula nacional do PMDB e a do PT na Granja do Torto, em Brasília, um dos principais responsáveis pelo encontro, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), já se preparava para outra articulação. Temer quer lançar a candidatura do deputado Francisco Rossi a governador de São Paulo pelo PMDB, como forma de neutralizar o cacique regional do partido, Orestes Quércia.

Tales Faria, chefe da sucursal do iG em Brasília |

Quércia fechou aliança com o PSDB no Estado e tem esbravejado contra o acordo entre o PT e o PMDB em torno da candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, a presidente da República.

Francisco Rossi disputou o governo do Estado de São Paulo em duas eleições, 1994 e 1998, e a prefeitura de São Paulo na eleição de 2004 ¿ não se elegeu em nenhuma das ocasiões. Em 1972 e 1988 foi eleito prefeito de Osasco. Formado em direito, Rossi foi eleito deputado federal duas vezes, em 1978 e 1986. Exerceu o cargo de secretário estadual de Educação e Turismo de São Paulo (1980-1981) e já passou pelos partidos ARENA (1971-1979), PDS (1980-1983), PTB (1986-1993), PDT (1993-1998) e está no PMDB desde 2005.

O deputado estava no gabinete quando Temer recebeu a reportagem do Portal iG para uma rápida entrevista. Leia abaixo:

iG - O senhor pode ser indicado vice na chapa da ministra Dilma. Tem consciência de que o Quércia pode constrangê-lo levando o PMDB do seu Estado a formalizar a aliança com o PSDB?

Temer - Eu não tenho dúvida de que o Quércia quer formalizar a aliança com o PSDB em São Paulo, um direito legítimo dele, que pretende concorrer ao Senado. Mas há outras possibilidades. Por exemplo: podemos ter uma candidatura própria no Estado. O deputado Francisco Rossi pode ser candidato...

iG - Isso inviabilizaria a formalização da chapa com os tucanos paulistas.

Temer - Creio que há muita gente no PMDB em meu Estado que apoiaria uma candidatura própria ao governo, independentemente do PSDB, do PT, do DEM ou de quem quer que seja. E digo mais: o Rossi sai, no mínimo, com 8% a 10% das intenções de votos.

iG - E como vai ser o jantar com o PT, a ministra Dilma e o presidente Lula?

Temer - Essas coisas sempre têm uma dose de imprevisibilidade e outra de previsibilidade. Eu diria que é previsível que saiamos de lá, primeiro, com um pedido formal do PT para formar aliança com o PMDB em torno da ministra Dilma. Depois, com o oferecimento da vaga de vice ao partido e, terceiro, o convite a que integremos a coordenação da campanha e do programa de governo.

iG - É o senhor o nome para vice?

Temer - Não há nomes definidos no PMDB. Isso só será discutido mais à frente. De posse do pedido, teremos, agora sim, algo concreto a apresentar na convenção nacional do partido.

iG - Mas a aliança é praticamente certa.

Temer - Digamos que ela conta com o apoio de muita gente no partido. Tive agora em um encontro com os ministros do PMDB. Só sete hoje. Ou seja, o partido está completamente integrado ao governo. Se não quisesse a aliança, o certo seria deixar o governo. Temos agora que discutir os detalhes em cada Estado.

Leia também:

Saiba mais sobre eleições 2010

    Leia tudo sobre: eleiçõeseleições 2010pmdbpolíticapt

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG