Michel Temer ganhou fôlego na disputa pela vaga de vice na chapa da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Um dia depois do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, preferência de Lula para a dobradinha, ser avisado de que o Ministério Público Federal o denunciou ao Supremo Tribunal Federal por crimes contra a ordem tributária, o presidente do PMDB foi recebido por Lula na companhia de José Sarney, presidente do Senado (PMDB-AP), em Brasília.

Oficialmente, a pauta foi a polêmica em torno dos royalties do pré-sal. No bastidor, o trio focou nas eleições e o futuro do PMDB. Ficou acertado que os secretários-executivos dos ministérios do partido vão assumir as cadeiras dos titulares que sairão para concorrer às eleições. O futuro de Meirelles ficou em segundo plano e está cada vez mais longe de se consolidar como vice dos sonhos de Lula.

O presidente do BC vinha demonstrando a maior chance de unir os empresários e o mercado financeiro internacional à campanha de Dilma, o que agrada Lula, mas líderes do partido avaliam que a investigação atrapalhou os planos de Meirelles e revigorou Temer. Além de ser preterido pelo presidente, o nome do deputado para vice também já balançou após ele aparecer citado em planilha de empreiteira investigada pela Polícia Federal, antecipada pelo iG , e Lula sugerir uma lista tríplice do PMDB para vice.  Mas agora Temer voltou ao páreo. E com força. 

Interlocutores da campanha dão como certo que o PMDB fechará com o deputado. A ministra escolhe o nome, mas a prerrogativa de indicação é do aliado. Os peemedebistas consideram o deputado a melhor opção porque Meirelles, além do inquérito, é recém-filiado ao partido, chamado de cristão novo pelas lideranças, e não teve tempo de construir uma candidatura. E o partido já se mobilizou para empurrar Temer de uma vez.

Planeja uma festa no dia 8 de maio, no centro de convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, para selar seu nome para a vaga. O vice-presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), disse ao iG que o partido quer guardar um fato novo para campanha da ministra, já que o pré-acordo entre os partidos foi antecipado no ano passado, e vê como remota a chance do partido indicar Meirelles. Para Raupp, o presidente do BC só emplaca se recebesse um convite direto da ministra Dilma ou do presidente.

Outras lideranças do partido avaliam reservadamente que Temer só abrirá mão da vaga caso seja negociado algo maior que a vice, como, uma vaga no Supremo. O outro nome cotado para vice de Dilma, o ministro das Comunicações, Helio Costa, está praticamente acertado para disputar o governo de Minas Gerais.  

O governo diz que o vice da ministra não é assunto do PT e que a decisão só deverá ser tomada em meados de junho. "O partido só tem o direito de opinar", afirmou o líder do governo na Câmara, Cândido Vacarezza (PT-SP).  

Se não for vice, Meirelles pode sair para uma vaga ao Senado pelo Estado de Goiás. Pela legislação eleitoral, Meirelles tem prazo até o dia 3 de abril para decidir sobre uma eventual candidatura. O presidente Lula reafirmou que sua vontade é de que o presidente do BC permaneça no cargo até o fim do governo. 

A cúpula do PMDB acredita que Meirelles na posição de vice seria um prato cheio para a ala do partido pró-José Serra, governador de São Paulo e provável adversário da ministra em outubro, além de impulsionar aqueles que defendem uma candidatura própria do partido à Presidência. O principal nome seria o do governador do Paraná, Roberto Requião.

Festa repeteco 

O centro Ulysesses Guimarães  é o mesmo local escolhido pelo PT para lançar a pré-candidata da petista no mês passado, com festa para militância e presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ministros e o próprio Temer. Se tudo correr conforme o programado, o evento deverá ser um repeteco do petista e espera até cinco mil lideranças entre parlamentares, vereadores, prefeitos, governadores e ministros.

As sugestões ao programa de governo da ministra, aprovado no Congresso do PT, também serão apresentadas no evento. O programa do PT deixou de fora uma menção explícita à aliança com o PMDB, o que irritou a cúpula do partido.  

Os 1.300 delegados do 4º Congresso Nacional do PT rejeitaram a  proposta, que partiu de parte do grupo majoritário formada por setores da corrente Construindo um Novo Brasil e Novos Rumos, que previa uma mudança no texto base, que fala apenas na prioridade em "fortalecer um bloco de esquerda e progressista" e "agregar forças políticas de centro". Não há menção direta ao PMDB nem qualquer outro partido aliado.

A saia-justa levou a própria Dilma e o ex-presidente do PT Ricardo Berzoini a telefonaram para Temer e para demais membros da cúpula do PMDB, argumentando que a ausência peemedebista no congresso poderia simbolizar que a aliança nacional entre os dois partidos corria riscos. No dia da aclamação da pré-candidatura da ministra, Temer subiu no palco e sentou ao lado da cúpula petista.

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