No primeiro dia da volta do recesso parlamentar, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), procurou desvincular a crise política do Senado dos trabalhos da Casa. Não vai haver contaminação na Câmara, disse.

"Os senadores devem sentar, conversar e resolver esse impasse que lá (Senado) se criou, porque é útil para a instituição", afirmou o peemedebista. Na Câmara, o presidente da Casa pretende começar as votações no plenário a partir de amanhã.

Na linha de colocar panos quentes na crise do Senado, Temer desvinculou a nota divulgada pelo partido aos senadores peemedebistas que pedem a saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado. "Esta carta não se dirige à situação presente, mas futura", afirmou Temer. Em entrevista ao chegar à Câmara, ele negou que a cúpula teria mandado um recado ao senador Pedro Simon (PMDB-RS), um dos peemedebistas críticos de Sarney.

O presidente do Senado sofre acusações no Conselho de Ética que vão desde a responsabilidade pela contratação de aliados e parentes por meio de atos secretos a desvio de dinheiro destinado pela Petrobras à Fundação José Sarney e distribuído para empresas fantasmas e da família dele.

Ontem, o site do PMDB publicou nota assinada por Temer, presidente licenciado da legenda, e pela presidente em exercício do partido, deputada Íris Araújo (GO), a qual afirma que os dissidentes e críticos do PMDB deveriam deixar a sigla "o quanto antes". O comando afirmou que não cobrará na Justiça o mandato dos parlamentares que largarem o partido, se valendo da lei da fidelidade partidária.

Temer afirmou hoje que o texto divulgado no site foi escrito e enviado à revista "Veja", em resposta à reportagem publicada na edição passada, que associa o partido à prática de fisiologismo - busca de vantagens pessoais em lugar do interesse público. "Essa carta tem o objetivo de preparar uma convenção nacional, onde vamos buscar o máximo de unidade. Estamos pensando no futuro e não no presente", explicou Temer.

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