Técnica de respiração indiana promete restaurar a calma e a saúde

Olhos fechados, coluna ereta, mãos soltas sobre as coxas, polegar e indicador unidos, mais de 300 paulistanos se entregaram aos comandos de um discípulo do indiano Sri Sri Ravi Shankar, na semana passada, no Parque do Ibirapuera, zona sul de São Paulo. A técnica de respiração sudarshan kriya, ensinada pelo mestre em 140 países, promete restaurar a calma e a saúde física e mental.

Agência Estado |

A instituição, que organizou o evento no Ibirapuera, é uma filial oficial da Fundação Arte de Viver, criada em 1982 por Sri Sri Ravi Shankar, e realiza retiros para quem busca um momento de paz. Em Salvador, quase 200 pessoas vão passar a Páscoa meditando por quatro dias seguidos, das 7 às 22 horas, sem dizer uma palavra - qualquer comunicação é proibida, até o olhar. No Rio, outros tantos já garantiram lugar no retiro para o feriado de Tiradentes, em abril. Em junho, será em São Paulo.

A média de participantes no curso básico da técnica sudarshan kriya, requisito para os retiros e aulas de nível avançado, ministrados na Vila Madalena, zona oeste, passou de 20, em 2008, para 70 neste ano. A procura aumentou com o início da novela Caminho das Índias , da TV Globo. Os cursos são pagos e, na Vila Madalena, há sessão de meditação gratuita às segundas-feiras.

Projetos

A técnica sudarshan kriya foi levada para catadores de lixo e para carcereiras e presas da Penitenciária Feminina da capital paulista. “No início, as guardas não conseguiam fechar os olhos porque são treinadas para estar alerta”, diz Cristina Arnelin, ex-empresária, de 49 anos, que se dedica a difundir a técnica de respiração no Brasil. Ela acaba de voltar de Bangalore, na Índia, onde passou dois meses em um ashram (retiro).

Na Fundação Casa, na Vila Maria, onde há 41 multirreincidentes, voluntários também passam a técnica para internos. Kresley, de 18 anos, é um deles e conta que viaja em pensamento. “Me vejo na frente do inimigo e peço perdão. A mente me leva aonde eu quiser.” Às vezes, traz más recordações - o abandono da mãe, o alcoolismo do pai, os crimes. Mas ele as devolve ao passado. O futuro cabe na sacola de pano onde guarda o que levará dali. A ele só o presente interessa. São ensinamentos da ioga. Em horas ruins, Kresley vai ao pátio, fecha os olhos e medita. “Não deixo nada estragar meu dia.”

Adriana Carranca

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