Teatro Oficina comemora 50 anos com peça de Schiller

SÃO PAULO ¿ Para assistir à versão de Os Bandidos, de Schiller, na interpretação dos 19 atores do Teatro Oficina - elenco que parece bem mais numeroso na multiplicação de papéis -, o espectador deve estar preparado para acompanhar um ritmo vertiginoso de imagens. Foi assim na pré-estréia, na semana passada em Porto Alegre, dessa encenação dirigida por José Celso Martinez Corrêa, que celebra os 50 anos do Teatro Oficina. E vamos acelerar o ritmo ainda mais aqui, em São Paulo, promete o diretor.

Agência Estado |

Como já fizera na montagem de "Os Sertões", de Euclides da Cunha, Zé Celso é bastante fiel aos episódios da peça original, porém os recria atualizando elementos e sentidos. Assim, carta vira e-mail, espada vira fuzil AK-47, feudo vira multinacional. Schiller aborda a disputa entre dois irmãos Franz e Karl, o último um rebelde que se transforma em bandido, justamente ao ter rejeitado seu pedido de conciliação familiar. Na adaptação de Zé Celso, eles são Cosme e Damião.

"A gente mostra o que é, a gente se diz bandidos. E somos de fato um grupo que canta bodes e tabus, que sempre apronta, felizmente, porque ao teatro interessa o que quer Antígone, não a justiça dos homens, mas a do cosmos, os valores eternos da vida, universais, para além do bem e do mal. É disso que Schiller fala nessa peça cheia de reflexões filosóficas lindas", afirma Zé Celso. No texto original, o rebelado Karl queixa-se que a legalidade "deteriorou em passos de lesma o que deveria ser o vôo da águia" e de viver num "século frouxo de castrados".

Schiller começou a escrever essa peça aos 17 anos e com ela se inseriu no movimento romântico alemão conhecido como Sturm und Drang (Tempestade e Ímpeto) que se transforma em Strume und Mangue e convoca todos ao "ardor" na pista do Oficina. "O estrume fertiliza, dá vida", diz Zé. Ele assina a adaptação em versos, ora falados, ora cantados pelo coro ao som da trilha executada ao vivo por ótima banda.

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