TCU suspeita de fraude em 30 mil bolsas do ProUni

Um dos programas mais elogiados do governo federal, o Universidade para Todos (ProUni) pode não estar ajudando exatamente o público ao qual se destina. A primeira auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União (TCU) no programa revelou que mais de 30 mil bolsas, parciais ou integrais, podem ter sido concedidas a estudantes com renda muito superior à máxima exigida e a outras pessoas que já haviam concluído outro curso superior.

Agência Estado |

Um dos cruzamentos feitos pelo TCU com a Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, revelou que cerca de 23 mil estudantes que constam da relação como empregados com carteira assinada têm, eles próprios, renda bastante superior ao que é exigido no programa, que é de um salário mínimo e meio per capita. "Realizando divisão entre a renda familiar declarada pelos beneficiários do ProUni e a renda dos mesmos bolsistas constantes na Rais 2006 foi identificado que quase 24% dos alunos declararam renda menor, ou muito menor, que o real no ProUni. Isso se levando em consideração apenas a renda do bolsista, e não a familiar", diz o relatório.
O tribunal ainda encontrou, como antecipou hoje o jornal Folha de S.Paulo , outros indícios de que pessoas com renda além do permitido estão usufruindo de bolsas pagas com dinheiro público: há pelo menos mil estudantes com carros novos (modelos de 2005 a 2008) registrados em seu nome no Registro Nacional de Veículos Automotores (Renavam).

Há, inclusive, alguns modelos de luxo, como Mitsubishi Pajero 2008, Tracker, Toyota Hilux ano 2007, Ford Ecosport ano 2007, Vectra 2008, Honda Civic 2008, Toyota Corolla 2008, entre outros. "Deve-se ressaltar que a posse de um carro novo, simples ou de luxo, não significa expressamente que a pessoa possua renda acima dos limites estabelecidos pelo programa, mas é um forte indicador de que isso ocorra", afirma o TCU.

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